quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TRADIÇÕES QUE VÊM DO MAIS PROFUNDO DOS TEMPOS

 Isso é a minha terra   ,Idanha-a- Nova , uma terra carregada de tradições !!!!
   Na verdade , no dia a dia de nossas vidas , estamos constantemente a deparar-nos com situações , que por nos serem tão habituais ,nem lhe prestamos atenção ! Mas, quando o fazemos paramos e perguntamos :  donde vem tudo isto ? Porque faço isto ou aquilo ? E , é aí que começamos a investigar e a interrogar os mais velhos que ainda estão connosco . Então , a partir das suas estórias ,eis que nos surge o caminho para irmos mais além .
 Queria , pois hoje recordar duas ou três  dessas tradições . O sociólogo e historiador Mircea Eliade , na sua « História das Ideias Religiosas » , diz-nos : «Por ocasião do Ano Novo , os deuses fixam o destino dos 12 meses subsequentes . Trata-se , sem dúvida , duma ideia antiga que encontramos no Próximo Oriente ; mas a sua 1ª expressão, rigorosamente articulada , é na  Suméria ».Ora em Idanha -a- Nova diz-se que os  1ºs dias do mês de Janeiro  «,pintam os meses» de todo o ano . O 1º dia ,diz o povo , tira-o para ele  enquanto os seguintes nos dirão como vai ser o resto do nosso ano . Sei que também em Trás -os -Montes se diz algo de semelhante ,mas quem nos diria a nós que dos Sumérios viria tal principio? De facto razão tem o sociólogo brasileiro Gilberto Gil ,quando diz que somos «um cadinho de culturas »..Mas os idanhenses, ou egitanienses
continuam  : a 20 de Janeiro ,o dia já tem uma hora por inteiro e quem bem contar  , hora e meia lhe há-de achar !! Aqui prevê-se não só o crescer dos dias mas , também a hora e meia a mais de sol que esses dias passarão a ter .Lusitanos e Celtas tinham já esta noção do crescimento dos dias e transmitiram-nos essa sabedoria . Mas , hoje é dia 2 de Fevereiro , aquele em que se comemora a Srª das Candeias . De onde vem esta festividade , que significa ? Lusitanos , Celtas  festejavam nesta altura a  Luz ; os dias maiores falavam do caminhar para dias cheios de luz com a qual a Mãe Natureza renascia ...Para os Romanos esta  era a altura em que se festejava a loba que havia amamentado os fundadores de Roma , Rómulo e Remo..Chamavam-lhe as «Lupercálias ». O Cristianismo chamou as festividades a si e deu -lhe o nome de festa da Srª das Candeias. Nesta época as trevas do inverno ainda dominam e a luz do sol ainda é fraca . Por isso , na minha terra , Idanha -a- Nova , antigamente fazia-se a procissão da luz  , onde  só mulheres participavam ; levavam candeias acesas ,para ajudarem o sol a ter mais força e entoavam cânticos e rezas . A tradição perdeu-se , apesar de se manter o ritual litúrgico .Mas , ficou-nos ainda o carácter adivinhatório desse dia  e por isso se diz : «Se a Candelária chora ( ou seja ,se chove  ) já o inverno vai fora , se ela ri , ainda está para vir »...E para terminar , deixo-vos mais uma influência Lusitana e Celta , já cristianizados , que passo a citar : « no dia da Candelária o urso sai da toca , olha a Lua ...,se ela estiver cheia o fim do inverno e o Carnaval  só chegam daí por 40 dias ,se for Lua Nova  ,esta , será a última da estação.
.Reparemos que é este o conceito que preside à  marcação da celebração da Páscoa ou seja ,  estamos face aum calendário de influência lunar.

   POR  ISSO , RECORDANDO  AQUILO QUE MINHA  AVÓ  MATERNA   ME  ENSINOU  recordo :
                                                         Se candeias acendeste
                                                          ou quiseste acender ,
                                                          a boa porta bateste ,
                                                          eu já te vou atender.
                                                         
                                                         Candeias pois , nós já vamos
                                                          acender por essas ruas ,
                                                          e orações nós cantamos ,
                                                          umas minhas , outras tuas .


                                                         Se a Candelária chora ,
                                                         o bom tempo já lá vem ,
                                                          mas se ela ri , ele demora ,
                                                          frio e chuva a gente tem.

                                                         Rezemos então irmãs ,
                                                         à volta desta capela ,
                                                         pedindo que venha sol ,
                                                         p'ra Terra ficar mais bela.

                                                        Mas se a chuva ainda for 
                                                        mui necessária por cá ,
                                                        qu'a Senhora das Candeias ,
                                                        nos dê a que cá não há .


                                                       E de candeias acesas ,
                                                       minhas irmãs , eu e vós ,
                                                       para o mundo de certeza , 
                                                       muita Luz pedimos nós .
                                                                   de   Quina Salgueiro , recordando....
                                                                                      e escrevendo em Lisboa 
                                                                                                1/2/2011


                                                          
                                       ,
           

 

    . 
       

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

E TUDO NA NATUREZA SE REGE POR CICLOS ... Assim , o Ano Velho morreu !

   Claro que todos sabem ,  que há poucos dias , passámos a dar uma nova designação ao ano pelo qual nos regemos . Fizeram -se festas , abriram-se muitas e muitas garrafas de campanhe , estalaram foguetes em coloridos fogos de artifício... Mas , como certamente já pensaram  ,não é disso que quero falar. Aliás, a relatividade do tempo é uma das muitas em que a nossa vida se desenrola ... Na época  dos nossos antepassados , diferentes foram o quando começavam ou acabavam os anos ; os próprios anos nem sempre tiveram o mesmo número de meses ; os calendários divergiram e continuam a fazê-lo... Tudo dependeu , daquilo que os povos consideraram ou consideram ser o facto mais marcante da sua cultura , para darem início a um novo ciclo .  Desde o princípio dos tempos que o Homem reparava nos movimentos da lua e também nas alterações da posição  do sol . Começaram  ,primeiro, por dar mais atenção aos ciclos da lua . Daí que os calendários mais antigos sejam «lunares ». Assim, hebreus , egípcios , persas , ou gregos tiveram todos calendários lunares . Mas , se , por exemplo , para os Egípcios o importante eram as cheias do Nilo que condicionavam as suas actividades agrícolas  , para  os gregos era o ínício dos «jogos Olímpicos » ... Mais tarde , alguns calendários lunares tornaram-se luni -solares , como foi o caso do hebraico ou  solares como sucedeu com os gregos . Já os romanos , com o seu calendário 1º lunar , depois  solar ,  guiaram-se pela fundação de Roma e  pelo consulado de Júlio César . O calendário juliano pôs fim em 45 A. C.  ao anterior , o de Rómulo que tinha  10 meses , no ano  708 da fundação de Roma. Este manter-se -à até 24/2/1582 quando o papa Gregório XIII publicou a Bula Inter Gravissimus que punha fim à confusão reinante ,devido à adaptação feita do calendário juliano pelo Cristianismo . Com esta adaptação, podemos dizer que nos regemos por um calendário luni-solar uma fez que, há festas importantes dos cristãos, que ainda hoje são movéis devido a esse facto .
   No entanto , outros calendários houve ou há, ainda no planeta . Lembramos o do Maias , o dos Aztecas , o dos Chineses ou o dos Hindus ... E , de certeza , que outros ainda ficam por referir . Mas , entre esses  não posso deixar focar  o  dos povos lusitano e celta . Ora ,desde os tempos mais remotos da Pré-Historia que, os povos que habitaram o nosso território, nos deixaram vestígios de como prestavam atenção aos movimentos da lua e do sol.  Profundamente ligados à natureza , orientavam-se pelos ciclos lunares , mas tinham também plena consciência da importância do sol . E , desses tempos ,em que a cultura Megalítica dominou as nossas regiões  ,chegam-nos monumentos que, nos fazem ficar  boquiabertos pela maneira como , à hora certa dos solstícios  , os raios solares incidem sobre eles .
Sabemos que entre os Celtas e provavelmente entre os Lusitanos , a 31 de outubro se iniciava o ciclo em que o sol estaria «mais enfraquecido  ». Renasceria depois , no dia do solstício, próximo de 21 de dezembro para ,a pouco e pouco ir ascendendo , trazendo a esperança de dias mais longos e cheios de luz .Essa esperança de luz está simbolizada nas fogueiras acesas ,nas refeições cuidadas tomadas à volta de  mesas enfeitadas , em família ,como se o clã ou mesmo o espírito da tribo continuasse entre nós. Os símbolos solares estão por toda a parte ,não só nas luzes mas também nos bolos que são , em geral circulares . A terra e o sol   «sentam-se ,assim , à nossa mesa ». Através dos bolos e  frutos secos , como  nozes , castanhas e bolotas de azinho ,  estão  simbolizadas as sementes que germinarão à medida que a terra for recebendo o calor solar. O Sol Menino renasceria pois , para alegria de todos . Com o critianismo , o sol passou a ser o Menino Jesus e , os lusitanos cristianizados , facilmente puderam manter as suas tradições . Estas , já haviam sofrido uma primeira adaptação com a vinda dos romanos  que , nesse período , comemoravam as saturnais .
  Assim , nos estudos que fiz não encontrei qualquer relevo dado à passagem do ano . Tudo, antes , girava à volta das comemorações do início da ascensão do sol , e da preparação para o novo tempo que começava a chegar . Por isso , talvez , porque na minha infância nunca assisti a grandes festejos na minha terra , pela mudança de ano , que ainda hoje ,essa data não é para mim um dia especial . Nos locais recônditos da Beira Interior Sul , hoje também há festas , luzes e foguetes ,mas a Beira Baixa da minha infância não me ensinou tal . Que me recorde ,talvez os «senhores » da terra bailassem na «Assembleia » e os da classe média no «Clube » . .. No entanto , pelos vistos na minha família não eramos muito dados a bailes ... e acreditem , não me fizeram falta.
      
        Assim quero contar-vos como era a «Minha noite de Novo Ano »

          Era dezembro , trinta e um ...
         Á meia -noite o sino da torre bateria 
         A última badalada
         que ,sem pejo nenhum ,
         o ano velho levaria ...
         Na minha casa o silêncio reinava ...
         Eu , inda criança ,na cama aconchegada ,
         quietinha ,por esse momento ansiava ...
         A minha mãe costumava dizer :
         -«É apenas o novo ano a nascer! ,
          É só mais um !...
         O que é preciso é termos saúde para viver ...»
         Festas , nesse dia ?!...Não ! ...
         Essas tinham sido
         a vinte e cinco ...
         e havia ,
         depois , o dia seis ,
         dia de reis..,
         mais as janeiras
         que se escutavam por todas as Beiras !
         Mas eu adorava
         ficar acordada,
         para ouvir no silêncio da noite,
         na torre da igreja ,
         a última badalada .
         Lá fora ... ,sabia ,
         a noite estava fria ,
        ou seria que até nevava ?!...
        Nas ruas ,por vezes , andavam grupos de rapazes,
        folgazões , , destemidos ,audazes ,
        pois ao ano novo cantavam 
        as cançõesque ainda o Menino embalavam...
        De repente , como cortando ao meu pensamento  o fio ,
        a primeira badalada surgiu !
        Depois as outras , compassadas .
        E , com a última ,
        como se estivesse com ela sincronizada ,
        um tiro de espingarda soava ...
       Aí , a minha mãe elevava a voz e dizia : 
       «-Meninos escutaram ?
       O ti Manel já o ano velho matou ,
       o ano novo chegou !...
       Alegria generalizada !
      Um coro de bom ano pela casa  ressoava.
      Depois , a minha mãe , sempre preocupada ,
      perguntava:
      -«Estão quentinhos ?»
     Um sim , gargalhado , a tranquilizava .
     «- Então durmam...»
     Mas , meu pai ,inda acrescentava :
     - «Que deus vos abençoe , filhinhos!»
    Eu ,feliz , ...sorria .
    A ternura da noite minh'alma acalentava ...
    Adormecia ,
    Ingenuamente ,crendo que sempre assim seria ,
    sonhava....
    
        Quina Salgueiro , (escrito em Lisboa a 4/1/2011 )
    
     

        
          

         

     
     

sábado, 18 de dezembro de 2010

A NOITE DO CARAMELO

 Eis ,  como se chama na minha terra à noite de Natal !!!  Sim , noite do caramelo , noite de frio , de geada sobre a campanha , que nos pede o calor dum bom lume . Na Idanha  a festa , que se iniciou no dia 8 com a chegada dos madeiros , continua agora no dia 24 , ao meio da tarde , com o «apetcher » dos ditos . No ar sente-se o cheiro exalado pelos árvores que começam a arder ,misturado com o das filhós  que , em cada casa , se vão fritando em azeite fervente depois de talhadas sobre o joelho ,coberto com um pano branco  . As mulheres iniciam , ainda ,  os preparativos da ceia , que tem de ficar pronta antes da ida ,  cerca da meia noite  , para a missa do galo . O bacalhau ,as couves tronchudas ,as batatas e demais iguarias como os sonhos , as fatias douradas ou fatias de ovo , o arroz doce e as papas de caloro  ,  terão  de estar na mesa  ,no regresso , tendo esta sido  posta com o maior dos cuidados . No canto da sala brilha uma lamparina . Na gruta , feita com musgo e pedras o Menino só será posto após a vinda  da missa ; marca -se assim , o momento da reunião familiar com a colocação de Jesus sobre as palhinhas . Depois , colocar-se-ão os sapatos na chaminé para que os presentes neles estejam  ao amanhecer  do já iniciado dia 25 .  Mas , a festa decorre  , apesar do frio , principalmente na rua . Depois da ceia  ,manda a tradição que se percorram os 9 madeiros . Perto deles ,grupos de jovens e menos jovens  que  vão «apetchendo»  com as mocas  os madeiros , assam chouriças , febras e outras iguarias trazidas de casa ; o garrafão de vinho está ao lado !!!Cantam-se louvores ao Menino. Mas , entre eles há um que se destaca . .. Passo a recordá-lo :
                                                                  Alegre-se os céus e a terra
                                                                  Cantamos com alegria
                                                                  Que já nasceu o Menino
                                                                  Filho da Virgem Maria .

                                                                 Ó meu Menino «Jasus » ,  
                                                                 Ó meu menino « tã » belo ,
                                                                  Logo vieste nascer
                                                                  Na« noute» do caramelo .
 (e num coro mais estridente !!!!....) :     
                                                                 Natal , Natal,
                                                                 Natal , Natal ,
                                                                 Filhós com vinho ,
                                                                «Nã» fazem mal. (bis)
E , assim será pela noite fora ,sim , porque os madeiros continuarão a arder mesmo para lá do dia 25.
Recordarei,  ainda , uma outra tradição : o levar para casa algumas brasas de um madeiro ,fogo sagrado que  as protegerá  . 
    Perguntar-me-ão de onde vêm todas estas tradições . Remontam elas ao tempo de Lusitanos e Celtas e , por isso os madeiros surgem noutros locais das Beiras e mesmo de Trás -os -Montes  . No entanto , é na Idanha que os madeiros surgem em maior número . Estudos que , actualmente , se vêm fazendo mostram que a região de Idanha -a-Nova conservou , talvez devido ao isolamente a que durante muito tempo esteve votada , muitas tradições que herdou nalguns casos , directamente das práticas lusitanas , ou de outros povos que se fixaram na região , como fenícios , egípcios , gregos , romanos , suevos e visigodos . Da Idade Média vieram-nos também algumas práticas (como as da Semana Santa , na Quaresma , neste momento candidata na UNESCO , a património imaterial da humanidade ) .
   Mas , retomemos o ciclo do Natal . Para Celtas e Lusitanos , nesta altura do ano , era a época em que era necessário acender fogueiras para que o sol retomasse a sua força . Os dias pequenos atingiam  o seu cume e  a Terra precisava de luz para ressurgir . Assim , prestava-se homenagem ao sol , fonte de vida ,para que a natureza começasse a sair da escuridão e caminhasse para a regeneração que será a Primavera . Também os romanos prestavam  culto ao sol ,tendo o calendário juliano fxado a data do  solstício de Inverno em 25 de Dezembro , no ano 46A.C. O imperador Constantino , no séc IV ,  tomou a decisão de colocar nessa data o nascimento de Jesus , sendo a data assim cristianizada .Tal sucedeu  com tantas outras festividades , para mais fácil conversão dos pagãos ao cristianismo . No entanto , já entre persas , egípcios e gregos se prestava  , nesta época , culto ao sol.
    Portanto , o que se passa na Idanha -a-Nova dos nossos dias é , para além da celebração do nascimento de Jesus , ( o Menino que  deve ter nascido entre os finais de Março , inícios de Abril altura em que os censos romanos costumavam decorrer . Ora , como nos diz a Bíblia , Maria e José dirigiam-se a Jerusalém para o censo que decorria antes da Páscoa ...) a repetição de uma tradição que os Lusitanos nos legaram e nós conservámos .
  Foi em louvor dessa cristianização dum acto pagão , que escrevi :
 
                                                                  Sabeis Vós , Minha Senhora ,
                                                                  E Vós , Menino Jesus
                                                                  P'ra minha casa eu levo ,
                                                                  Dum destes madeiros ,
                                                                  Luz ...
                                                                  Assim tenho ,
                                                                  Bem sabeis ,protecção p'ro ano inteiro,
                                                                  Pois o seu lume é sagrado,
                                                                  Sempre nos foi ensinado..
                                                                  E se connosco ele ficar,
                                                                  Nas brasas desse braseiro,
                                                                  Elas nos protegerão
                                                                  As casas , o nosso lar ,
                                                                  Benditos eles serão.
                                                                  Eis a crença , nestas terras ,
                                                                  Desde os tempos de antanhos ,
                                                                  De Celtas e Lusitanos
                                                                  Que as tradições nos deixaram.
                                                                  E todos mas recordaram ,
                                                                  Desde criança  que era ,
                                                                  P'ra que sempre se fizera
                                                                  Aquilo que nos foi dito,
                                                                  Neste dia tão bonito ,
                                                                  Em que o sol visita a Terra .
                                                                     Quina Salgueiro , Lisboa 16/12/2010)


    Mas , como a Senhora do Almotão  está sempre presente no nosso dia a dia ...digo:                
                    
          Senhora do Almotão
          Olha os madeiros que ardem ,
          É p'raquecer Teu Menino
          Que os homens fogueiras fazem.

          Senhora do Almortão
          Ouve as vozes , estão cantando,
          É «noute » do caramelo ,
          Teu Menino estão louvando.

         Senhora do Almurtão
         Os madeiros estão a arder ,
          Hoje é «noute » de Natal,
         Amanhã vou-t'aí ver .
            Quina Salgueiro , ( Lisboa , 16/12/20010  )

                                        BOM  NATAL    FELIZ   ANO  NOVO !!!           
                                                                                                                                                                        
                REVIVAM        AS      NOSSAS    TRADIÇÕES          SEJAM    FELIZES 
                                                                                                                                                                      
                                           REVIVAM   AS   TRADIÇÕES ... SEJAM FELIZES               
   Um dos 9 madeiros ---S. Sobral                                                            

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E DEPOIS DAS TREVAS SURGIU A LUZ

 Não , não vou falar-vos da Idade das Trevas ... Essas , não são brancas e frias , mas negras  , frias , chuvosas e ventosas e continuam a querer rodear-nos , não só sobre a forma de fúria dos elementos , mas  também de «crise »....No entanto , vou esquecer por uns minutos tudo isso e , vou falar-vos de uma tradição da minha terra . Tem ela origem nos tempos remotos de Lusitanos e Celtas e integrava-se no culto à «mãe natureza ». Depois de a 31 de Outubro terem comemorado o inicío do recolhimento dessa mãe que a todos acolhe , os nossos antepassados comemoravam a 21de  Dezembro o solestício de Inverno , ou seja o dia em que o sol mais se aproxima da Terra  . Faziam para isso fogueiras afim de o ajudar a recuperar o seu calor , ( acreditavam ! ) para assim prepararem o renascimento na Primavera . Então a Luz regressaria com todo o seu esplendor e toda a natureza rejubilaria . Mas  falemos dessa tradição ... Sei que ela existe em quase toda a Beira Interior e noutros pontos do países . No entanto , creio , na minha terra assume algumas características únicas ... Estou a falar da tradição dos «Madeiros » . No dia 8 de Dezembro os vários madeiros , sim porque são 9 , ( o do Menino Jesus , o de S: João , o de S: Pedro , o de N. Srª das Dores ,o de S. Jerónimo ,  o do Espírito Santo , o de S. Sobral ou também de S. Joaquim eo de N. Srª da Graça  )  entram na vila aí entre as 10 e as 11 horas da manhã ; vêm ,actualmente , em tractores ou camionetas de carga  ( antigamente vinham em carros de bois ) , engalanados com ramos e flores , ao som de concertinas , pífaros etc ; dão-se vivas aos madeiros e a quem os deu ;  destribui-se vinho pão e febras e o povo vem para a rua saudando -os  e entrando na festa . São colocados ,esses troncos que são árvores que já estão «mortas » e não cortadas simplesmente  , em encruzilhadas perto ou mesmo em frente às capelas e àIgreja matriz  ,envoltos nas flores e ramos , até que serão acesos na tarde do dia 24 . É desta festa que  vos fala o poema que escrevi  há um ano ..
 
     Hoje é 8 de Dezembro ,
     Como gosto deste dia !,
     É dia da padroeira  ,
     Dia de muita alegria.
 
    Vêm , chegam os «Madêros »
     E como estão enfeitados ! ,
    Com ramos e muitas flores ,
     Este é  um dia encantado .

     Há vivas e alegria  ,
     Uns gritam «vi v'o madêro »!!
      E logo outros respondem ,
     Que ainda está  « intêro».

      Mas outros vivas se dão ,
      Àquele que nô-lo «dou» ,
      Assim como acrescentam,
      Viva quem o transportou .

     E p'ra festa ser maior ,
     Há música , vinho e pão ,
     Há febras ,que bom odor ,
     São da nossa matação ..

     Há música e alegria ,
     Tocam os  bombos e o pífaro,
     E tocam as «conçartinas »,
     Cantam vozes à porfia .

     Já as canções de Natal
     Se ouvem aqui ,além ,
     Como elas não há igual ,
     Viv'o Menino en Belém .

      Como gosto deste dia
      Em que chegam os « madêros »
      Há festa , há alegria ,
      Traz-se o musgo e o « pinhêro ».

      Faz-se o presépio e a árvore ,
      Mas aqui tudo é diferente ,
      Reina a paz e o amor
      No Natal da minha gente . 
              Quina Salgueiro  ( escrito em 8/12/ 2009 )

NOTAS  : As palavras entre aspas estão de acordo com a pronúncia típica da Idanha
                             Na noite de Natal , após a Missa do Galo e a Ceia  ,as pessoas percorrem os madeiros vendo qual é o maior . Segundo a tradição o maior deve ser o do Menino Jesus , mas mesmo assim há rivalidade ...
 Usam-se «mocas » ( paus  compridos com uma das pontas arredondadas  ) para bater nos madeiros e espevitá-los .
À volta dos madeiros canta-se , assam-se petiscos para comer e bebe-se vinho ,jerupiga  ,etc
 Houvem-se cânticos toda a noite ...que termina já ao amanhecer , altura em que , 2º a tradição , as crianças iam à chaminé buscar as prendas que o Menino Jesus tinha trazido ..

  Por estranho que pareça ,a padroeira de Idanha-a-Nova é  N. Srª da Coneição e não a Srª do Almotão . Tal facto deve-se aos templários que construiram o castelo da Idanha .

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Será que a «Idade das Trevas» vem aí ?.....ou «Depois da tempestade vem a bonança» ?

    Hoje , 24 de Novembro de 2010, é dia de greve geral , mas não é por isso que falo em Idade das Trevas . A greve é um direito de todos os cidadãos que , de acordo com a Constituição da República , têm direito a ela para desmonstrar o seu descontentamento ou a sua indignação . No dia de hoje , creio ser mais a indignação que está na sua origem . Mas , o estar em greve  não é propriamente um dia de festa como ,às vezes , alguns julgam ser . Para os que a ela aderem é um dia triste, porque tiveram de a ela recorrer . Os que não aderem ficam igualmente tristes , porque muitas e várias razões também eles estão zangados com alguém ou algo . Para «a cereja no cimo do bolo»  ser colocada ,só cá faltavam os senhores todos poderosos deste decrépito mundo ocidental , a aumentarem ,mais uma vez , os juros da dívida portuguesa , fazendo-os passar a barreira dos 7%. Isto sim , isto faz-me falar na Idade das Trevas ... Os abutres voam sobre a carniça ,esperando o momento de atacarem para se empanturrarem ... Pode ser que rebentem por comerem demais ( viram o filme « Os 7 pecados mortais »? ) . Sim ,mas não quero ficar-me só neste muro de lamentações ... Gostava de hoje aqui deixar um poema que escrevi em 18/1 /1993... Faz parte de um conjunto de  então . A conjuntura  actual levou-me a interromper os meus poemas à Idanha , pelo menos por agora ...
                 
              NOVO AMANHECER
   
         Longe no tempo eu vejo despertar,
         a aurora de um novo amanhecer,
         mas antes dela nascer,sinto no ar ,
         grandes tormentos e muito padecer.
      
         E para que a aurora nasça e brilhe ,
         grandes serão as dores , os martírios ..
         ainda que a lua nos polvilhe
         de brancas claridades de delírios .

         As dores , os tormentos serão tais ,
         as fomes , as desgraças e as guerras ,
         que os homens loucos , e como seres mortais ,
         elevarão aos céus as mãos sujas de terra .

         E pedirão gritando , num só grito ,
         perdão p'ra tantos erros e desvairos ;
         levantarão altares  de muitos ritos,
         julgando conseguir fazer reparos .
   
         Mas , por fim ,quando o homem não puder
         suportar,por um segundo , tal sofrer ,
         a aurora brilhará com seu fulgor ,
         trazendo ao mundo o novo amanhecer.
                       Quina Salgueiro , escrito em Lisboa
                                            a 18/1/1993
         
  
         

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poemas de mim para ti , Idanha-a-Nova (14)

Esta noite tive um sonho,
ou será que foi real ?!,
Vi a Idanha crescer
duma forma sem igual ..
Gente nova pululava,
aí morava e vivia ,
zona antiga remoçada,
como nunca esperaria ...
Nas casas alegres gentes ,
d'ideias inovadoras,
haviam criado espaços
dinâmicos de formosura.
Nada tinham destruido ,
antes vi reconstrução,
e de força embuídos,
mantilham-lho «coração ».
Com as marcas do antigo
e com ideias d'agora ,
atraiam novas gentes,
vindas de longe de fora .
A antes adormecida
zona do Jardim à Praça ,
estava agora colorida,
cheia de vida e  de graça.
Mantinha a voz do passado,
bem viva sem ser esquecida ,
mas fervilhava e brotava
nela a flor que é a vida .
Ouvi risos de crianças ,
junto a velhos tão felizes ,
e vi jovens namorados
 senti neles a esperança
ligada aos sons do passado.
Ó quem me dera Idanha ,
não despertar deste sonho ,
e ver-te ,flor da campanha ,
crescer ,deixar o restolho ...
Então tu serias «Nova »,
sem deixares a tradição ,
Idanha , flor da campanha ,
renasce , não digas não  .
        Quina Salgueiro , 27/9/ 2010
    ( em Lisboa ,sonhando com  Idanha -a-Nova )


CURIOSIDADES

    Sabia que no Festival Boom se fez uma reutilização
de materiais ,entre eles , do Rock in Rio :
     195 Kg de ferro ,
     100 Kg de vinil ,
     mais de 46mil Kg de madeira e outros materiais .
É por esses motivos ,entre outros , que a utilização de materiais
reciclados , no Boom em Idanha-a-Nova, é única no mundo.

    O grupo folclórico de Proença -a-Velha  «Modas e Adufes »actuou
durante 3 dias , num festival na Bulgária  . Este grupo ,composto por 25 pessoas
com idades dos 8 aos 80 anos, actuou sempre e, exclusivamente ,acompanhado por adufes.


  ---O grupo «Ciranda » de Idanha-a-Nova actua ,
       este sábado dia 20 , no Centro Cultural Raiano

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Poemas de mim para ti , Idanha-a-Nova (13 )----e---Notícias da Terra

Tenho os olhos rasos d'água ,
voltei costas à Idanha ,
ela ficou para trás ,
já  não vejo a  campanha.
E já cheguei à saída
do concelho que é meu ninho ,
estou na ponte de São Gens ,
saio pois , do meu caminho .
Caminho que não esqueço ,
antes sempre está comigo,
terra da velha Egitânia ,
meu coração está contigo.
Guarda-o assim p'ra que possa ,
olhar teu céu sem igual ,
mesmo quando o povo diz ,
«andam as torres no ar » !
«Torres » essas qu'anunciam,
virem aí « gravanadas » ,
elas são nuvens branquinhas
que foram no céu pintadas.
Estou de costas p'ra Idanha ,
ela já ficou p'ra trás ,
não vejo a linda campanha,
como encontrarei a paz?!...
Meu coração aí fica ,
ele é como um passarinho .
 deixou meu peito e voou
p'ra regressar ao seu ninho.
           Quina Salgueiro , deixando Idanha -a- Nova
                            1/11/2010

     NOTÍCIAS  DA  TERRA
----  A   Cooperativa de Queijos da Beira Baixa , Idanha-a-Nova,
ganhou , no concurso nacional realizado em Aveiro ,pela Ass. Nacional
de Ind. de Lacticinios , 2  primeiros prémios ,atribuidos ao queijo de ovelha
 curado e ao requeijão ; e 1 segundo prémio para o queijo amarelo da Beira
Baixa ( aquele a quem as vedetas do cinema americano ,há 2 anos consideram
o melhor do mundo !!).
----Os cogumelos da Beira Interior são considerados dos melhores do mundo !!!,
por chefes como Valdir Lubave e também os de alguns dos melhores restaurantes
 estrangeiros ( Espanha , Itália  e França )e portugueses como o Eleven e o Tavares.
1kg que custa na nossa região 5Euros ,chega aos 100 ... Lamenta-se que não se te-
nha ainda incrementado mais esta «indústria»...
 ---- O Boom Festival ganhou dois prémios internacionais ,pelo seu carácter ecoló-
gico  organizativo e materiais utilizados noseu espaço . Foram o Greener Festival Award
e o Prémio de Mérito Outstanding.


         FESTAS  e ACTIVIDADES  CULTURAIS
 Para além das visitas  ao Geopark ,às Aldeias Históricas  e ao Centro Cultural
 realizam-se em -Novembro:
    DIAS:
     ---11-S. Miguel d'Acha -Magusto
    ---13 e 14 S. Miguel d'Acha -- Festa do Vinho
   ---14-Proença -a-Velha--Magusto Comunitário
   ---21- Salvaterra do Extremo- Baile
   ---24,25 e 28--Idanha-a-Nova- Festival das 3 Culturas -Música Antiga ,
       da Renascença e Barroca . Intérpretes oriundos de Espanha , Malta ,Itália ,
      Bulgária e Portugal.

             PERCURSOS
     Dia 14---Penha Garcia --Passeio Micológico--Aromas da Terra --com apanha
e refeição  com cogumelos .

         EXPOSIÇÕES
 ___Medelim-Ciganos na Raia de Idanha-a-Nova-Fotos de  Carlos Pimentel
       Idanha-a-Nova---Centro Cultural Raiano--Agricultura nos Campos de Idanha;
  Filarmónica Idanhense ;
  Dinossaurios em Viagem.
    ----No Forum: Arte Sacra
    ----Em Proença -a- Velha : Núcleo de Azeite
     
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