sábado, 19 de março de 2011

É QUARESMA EM IDANHA-A-NOVA ...OS SINOS CALAM-SE ......AS MATRACAS RESSOAM.....

                                                   1- Sepulcro
                                      2-Encomendação das almas
                                       3- Bandeira das almas
                                      4 - Procissão do Enterro

É  Quaresma nas terras de Idanha -a-Nova ....A interioridade trouxe-nos pelo menos a benesse de nos conservar as tradições ... Como diz o nosso povo ,"há sempre um lado positivo em todas as coisas", ou à moda de Idanha -a-Nova ,"nem tudo é mau "! Neste caso,de que hoje falo , foi "atéi bom ".Muitos conhecem as cerimónias Pascais que na Semana Santa se fazem nalgumas regiões de Portugal e que os" média" têm divulgado. As nossas, até os ditos "média" as parecem ignorar . Só,  a noite de sábado de Aleluia , já foi alvo de 1 ou 2 pequenas reportagens televisivas que nem sempre deram de nós  a melhor imagem . É que na nossa Quaresma nada é encenado ou ensaiado. Os rituais são para nós naturais , passaram de pais para filhos ,ao longo dos séculos . Sabemos que  algumas das suas raízes vêem  da Idade Média quando os Franciscanos introduziram no ocidente o hábito de representar  cenas marcantes da vida de Jesus . No entanto ,  a forma  como todos esse ritos  se desenvolvem fazem- nos pensar nos " Mistérios"  ( celebrações de  factos de relevo  da vida dos deuses )  que já egípcios , gregos e romanos haviam realizado na Antiguidade . Esse tipo de manifestações mantiveram-se até à cristianização , passando depois a invocar passagens da vida de Jesus .
   Contudo , também aqui não podemos por de parte as tradições de influência Lusitana e Celta   ;  elas continuam a estar presentes nestas festividades que , igualmente ,  celebram o fim do tempo  escuro ( quaresma - quarentena -expiação-morte )  e a sua passagem para o renascimento da natureza (ressurreição - alegria -vida)  . Por último , não devemos ignorar as influências judaicas  que , como todos sabemos , estão presentes nas comemorações da Páscoa , isto é do "regresso do cativeiro no Egipto" e o fim da sua caminhada errática pelo  deserto , durante 40 anos...
        Todavia , não é esse o caminho que hoje pretendo seguir  . Hoje trata-se de ouvir o som da "matraca "que substitui o dos sinos nas cerimónias Quaresmais ,  de  Idanha-a-Nova . Ela , esse instrumento feito de madeira com argolas de ferro , "forma mais carregada de luto " no dizer de alguns historiadores , substitui o repicar dos sinos .  Estes calar-se-ão,  para se voltarem a ouvir  quando , em sábado de Aleluia , se proclamar :   "Jesus ressuscitou , alegrai-vos "! Aí , então , serão sinos , adufes , banda de música , apitos , "tchocalhos ", búzios (estes também usados no tempo da apanha da azeitona , para reunir ,de manhã cedo , o pessoal !!! ) e tudo o que fizer barulho , soará das mãos  e boca dos idanhenses ; primeiro ,  "Matriz " adentro e depois , dando a volta à vila . Antigamente , também se cobriam , todas as imagens e janelas , de panos roxos que eram retirados nesse  momento de explosão de alegria  ." Roma " terá proibido tal acto ,segundo me foi dito .
       Mas regressemos às  quase 7 semanas de Quaresma . De facto , não é só na semana Santa que há celebrações no concelho de Idanha-a-Nova. Elas começam a seguir à 3ª feira gorda , ou seja de Carnaval. .Na 4ªfeira de Cinzas, como o nome o diz , é o dia de lembrar ao homem que "é pó" e como tal deverá penitenciar-se dos excessos anteriores , se quiser salvar a sua alma .Aqui se dá início ao tempo de expurgação que continua logo com  diferentes rituais , na 6ª feira  ; tal sucede  por todo o concelho  . Aliás , até à Semana Santa ,as celebrações repartem-se, principalmente ,  pelos seguintes  dias : 3ªs ,  6ªs e domingo  ; a partir do fim -de -semana em que realiza a procissão dos Passos , há também rituais realizados ao sábado .
   Na minha terra ,  Idanha -a-Nova , logo na primeira  6ª feira se iniciam dois actos de relevo : o" ir ver Nosso Senhor"e a "Encomendação das Almas " . Estes dois actos decorrerão até ao final da Quaresma ,todas as 6ªs feiras . O primeiro passa-se na Igreja da Misericórdia " ,( a mais antiga da vila bem junto ao castelo que os Templários e mestre Gualdim Paes mandaram  construir em 1187 ); aí, todas as semanas são expostos , através de imagens , os momentos porque "Jasus " passou até à crucificação . O povo acode , todas as 6ªs feiras ,ao cair da noite ,orando .  Bem perto dali , no cimo do castelo ,às 24 horas , sim à meia -noite , e também  todas as 6ªs feiras ,se inicia a "Encomendação das Almas " . Mulheres vestidas de preto , à moda tradicional do "estar de luto " , isto é ,  com .xaile e lenço  de merino. saia comprida franzida  , blusa ,meias e sapatos ,tudo preto ;homens de capotes com capuz ,estes feitos de burel  ;  juntos , cantarão hinos suplicantes por alma dos que já partiram . Esperarão que o relógio da "Torre" , ali também "pertelinho"  ,bata as 12 badaladas  da meia-noite . Então , virados para a  nossa terra e para o cemitério  ,começarão os seus cânticos" à capela ". Concluirão , rezando e seguirão ,imediatamente , para outro ponto . Em 12 lugares se  realiza  este ritual , tendo sempre  de ser nos pontos  mais altos da vila de Idanha -a-Nova .E , se começaram pelo Castelo Templário , irão ,seguidamente , para o Castelo Velho , local onde creio  ter existido um castro Lusitano . Farão ,no entanto , uma paragem ,pois a 2ª "encomendação " é junto à  porta principal do cemitério que se encontra ao  descer da rampa que conduz ao castelo templário .
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 Entoarão:  
                                   
                                     «  Á porta das almas santas ,
                                         bate Deus a toda  a hora ,
                                         o que "querendes  mê Jasus"
                                         que "querendes "Vós agora ?
                                         Quero que venhas comigo ,
                                         p'ro santo reino da glória .»

O que originou este ritual ? Está ele ligado ao culto dos mortos ,vindo   assim , do início dos tempos ?
   Só sei dizer que é arrepiante ! Aquelas vozes , ecoando  na calada da noite ainda fria  ,creio que tocaram , tocam e tocarão  , ontem , hoje  e no futuro , no  âmago , no sentir   mais profundo de qualquer ser humano...
 

  .  Quanto às  várias terras deste extenso concelho ,seja ele o 2º ou o 3º maior do país , iniciaram  também várias cerimónias . Quero , aqui referir algumas ,  mas  meramente , a título de exemplo , como : a "Procissão Corrida " , A "Ladainha dos martírios do Senhor ",o "Terço cantado pelos homens ", A procissão dos Homens" (as mulheres só podem estar a ver passar a procissão tendo  candeias ou  velas acesas), " A Ceia dos 12 "," O Cântico da Verónica ", "A Via -Sacra ,de mulheres  descalças "....
Se curiosidade houver , da parte de quem tiver a paciência de ler o que aqui escrevo , digo que  sobre o vasto calendário que constitui a Quaresma por terras de Idanha-a-Nova , há um sítio que contém a sua  agenda ; é  de seu nome  "  Mistérios da Páscoa  em Idanha 2011 ". Não correrei eu assim , o risco de esquecer nenhuma dessas celebrações .
    Regressando a Idanha-a-Nova  destacarei também   " A Procissão dos Passos " ,com a reconstituição do encontro entre Jesus e Sua Mãe  :Esta procissão , antigamente ,  era muito longa ,percorrendo toda a vila . Faziam-se  várias paragens, não só para a reconstituição da caminhada para o Calvário , mas também devido ao peso das imagens  . Era pois  natural que as pessoas tivessem fome . Por isso , levava-se uma bolsinha com bolos típicos da época e que são , ainda hoje , os "borratchões , os bolos de lête , os esquecidos , os bosquetes e os broas de meli ".; a "bica de azête " que pode substituir o pão , traz-nos à memória o pão usado pelos judeus .
Realizam-se ainda   "A  Procissão de Domingo de Ramos"  e "A Procissão do Enterro " .
    Falar-vos-ei desta última  ,. Nela , todas as bandeiras têm de ir deitadas em sinal de luto e os homens, que  as levam  assim como ao esquife do Senhor , têm de cobrir a cabeça com o capuz  da " opa" preta que vestem..São os Irmãos da Misericórdia ,uma das várias confrarias que aqui subsistem  .. O silêncio em que toda aquela gente caminha ,é tocante   ; apenas  é interrompido pela marcha fúnebre que a banda (fundada em 1888) toca de quando em quando...   Também aqui tudo se passa à noite . As luzes das lanternas e tochas  empunhadas pelos irmãos das confrarias  assim como das velas dão ao ambiente um peso tristonho... Quando de regresso à Igreja Matriz ,depois de ter saído da Igreja da Misericórdia  e feito o percurso que é habitual ,  surge um outro momento digno de realce---- "A deposição do Senhor no Sepulcro ".
 No interior da Matriz , numa  capela lateral aí existente , está "armado" o Sepulcro do Senhor . É ele  enfeitado com pernadas  de loureiro a que se atam ramos  com laranjas  e, com aquilo a que chamamos "cabeleiras " .Estas são vasos de trigo germinado no escuro( o trigo germinado  fica assim  quase branco ! ) e enfeitados com pétalas de flores  ;  contornam , juntamente com ramos de jarros brancos ,  a cruz negra  feita no chão sobre tecido cor-de-rosa ; uma  outra cruz que parece sair da que jaze , se eleva em frente ao sepulcro , sendo esta feita  com jarros brancos  . Mas , não pensem que tudo isto é por acaso ... ,que se podem por outros tipos de flores ou de ramos ...Não ,  tudo tem um simbolismo . Assim o loureiro simboliza a fertilidade ,a promessa de criação , o Homem novo e , por ser uma planta de folha perene, fala do triunfo da vida sobre a morte  ; os jarros brancos são o símbolo universal da criação e por isso são também chamados lírios da paz ; as laranjas significam a imortalidade ,a fecundidade ;o rosa , do pano que cobre o chão ,lembra-nos que o túmulo de Jesus, segundo informações que vêem do séc VII , terá sido pintado com uma mistura de vermelho e branco .Simboliza regeneração ,redenção , tal como as opas , agora vermelhas  ,dos Irmãos do Santíssimo que passaram a ser a "guarda " do sepulcro e que  estão agora junto a ele  .
 Quanto ás "cabeleiras" ,pensamos terem  origem em influências que remontam  ao Egipto e à Pérsia da Antiguidade. No Egipto ,no dia em que se levantava antes do nascer do sol , a estrela Sirius (a nossa estrela da manhã )um sacerdote semeava trigo nas margens do Nilo ; regado pelo rio germinaria . Este era um ritual de regeneração e  tinha como fim pedir aos céus o seu auxílio .Na Pérsia , fazia-se  a festa do trigo germinado há 3000 anos .  Perguntar-me-ão como chegaram a estas terras as influências egípcias ?! Historiadores  , como por exemplo  Maria da Luz Huffstot , nos afirmam que a Egitânia foi o único território , a  Norte do Tejo , onde os cultos orientais  penetraram . ..
Assim é pois ,  toda esta a carga simbólica que se desprende do sepulcro todos os anos preparado por mãos de idanhenses  zelozos das suas tradições  . Mesmo que lhe desconheçam o significado ou as influências vindas do mais profundo dos tempos ,sabem ,no entanto , quais os elementos que devem pôr na elaboração do"Sepulcro" ,como o sabem em relação a todos os outros rituais...  Ano após ano ,de pais para filhos ,tudo o que deve ser colocado no" Sepulcro" ,  é transmitido .  Neste ,  tal como  em  todos os outros rituais ,  os pormenores da sua organização está gravado no coração  dos idanhenses.  Dos mais idosos tento , por vezes saber o  porquê  deste ou daquele ritual ; pergunto o porquê de  ser feito assim  ....Com a sua simplicidade respondem-me : "Já cá o encontremos  , dos nossos intigos , assim pous o fazemos !"....  
      Feita esta explicação , regressemos então à colocação de "Jasus " no Sepulcro ...
   A  tampa do Sepulcro  é pesada  ... Após o esquife ter sido aí colocado e feitas as orações , a tampa  é deixada cair , ecoando por toda a Igreja ...Ouvem-se vozes , no meio daquele silêncio , dizendo : "Já está " !!! Era aí que eu não continha as lágrimas , quando era criança ...  como se , a partir desse momento eu ficasse mais só ... Como se fosse o meu "terminus " ...Ainda hoje  , confesso  , fico de lágrimas nos olhos....
 
   Sábado de manhã  ,se o tempo estiver solarengo , é dia de por os adufes ao sol . Assim eles soarão melhor
quando ,à noite , a ALELUIA  aparecer . Então será tempo de , do silêncio de 40 dias passarmos ao barulho estridente que já referi atrás . Mas ,mais ainda haverá  .  Recordando o renascimento da natureza e o acto  partilha , após concluidas as cerimónias , o Sr. Padre dirige-se a sua casa em frente à Igreja acompanhado pelas adufeiras que já vêem cantando  . As "alvíssaras " ,ou seja o acto de recompensar por boas novas trazidas  , começaram com cânticos , acompanhados pelos adufes ,dentro da Igreja Matriz ;.continuarão depois  , como o prova o que  descreverei . Aqui fica uma  quadra das "alvíssaras "entoadas :
                                                                            "Já aparceu aleluia ,
                                                                              quem achou quem acharia ,
                                                                              foi o senhor vigairo ,
                                                                              no sacrário de Maria "
  Entretanto , a banda que já percorreu a vila , toca aquilo a que chamamos de "Aleluia ", mas que é o hino da Srª do Almotão . Ela , a banda ,  e todos os que a acompanharam estão de regresso  ao Largo do Adro ." Adufêras  e Musêcos " entram na casa do Senhor Padre para comerem e beberem... . Depois de os acomodar  , o Sr Padre dirige-se à janela...   Tem ,  junto dele,  muitos quilos de amêndoas em pequenos pacotes ,dados pelos comerciantes da terra . Frente à casa e  já de costas para  o edifício da Matriz ,  o amplo  adro está completamente cheio ...O povo espera ,os jovens deliram...Põem-se mesmo "às cochichas " (cavalitas ) uns dos outros ....A alegria é contagiante ... Todos estão felizes e acreditam que essas amêndoas lhes darão sorte !!!É pois , preciso apanhá-las , disputá-las mesmo ...Assim se faz , assim  se fará ...
Os pacotes de amêndoas  começam a "voar"...  e cada um tenta apanhar os que pode ...,assim é com a sorte , ao fim e ao cabo ....
 Ali , ao lado , na Praça da República as mesas estão postas ; há vinho pão e "tchouriço " para " partilhar e recompensar " todos  . Caso deseje uma recordação , pode adquirir  uma caneca de barro para beber o  vinho que quiser . Mas se não comprar há sempre um copo ... Cumpre-se a tradição : após o recolhimento é preciso festejar , partilhar ... comendo os "tchouriços " que desde a "matação " se guardaram para esse dia . . A Junta de Freguesia oferece ...Vários restaurantes e cafés fazem o mesmo...Antigamente ,só os rapazes comiam o petisco nas tabernas ... Agora a festa é mais  de todos ...e toda a noite se ouvirão os apitos e os "tchocalhos"  o búzio ( trazido talvez há séculos por algum idanhense que  regressou de fainas marítimas...) enquanto se começa já , como sucedera na Igreja , a cantar à Senhora do Almotão :
                                                                                                                                                                                                     Srª do Almotão ,                             
                                 minha tã linda arraiana
                                 volta as costas a Castela
                                 nã queras ser castelhana ." 

   Assim se cumprem ,uma vez mais , as  tradições " vindas do fundo dos tempos "... Delas , tentei dar uma brevíssima ideia ... Levaria muito tempo se todas quisesse narrar ... Mas comigo há uma esperança : que os mais novos continuem a preservar toda esta riqueza ...Acredito neles ....e que a UNESCO nos anuncie ,brevemente , o reconhecimento de que elas são :  .PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE ....

   PS---O rituais daQuaresma ,em todo o concelho de Idanha-a-Nova ,são mais de 200...                    

sexta-feira, 4 de março de 2011

" Ó Entrudo , ó Entrudo , ó Entrudo Chocalheiro " ..... assim cantava Zeca Afonso ,.....

   Sim ,é do "Intrudo Tchocalhêro "das terras perdidas....mas também  ignoradas por muitos , das tais que são restos da velha Lusitânia mas , que poucos sabem que continuam a existir e a persistir,  que hoje quero falar .
         Quero falar desse:   "Ó Intrudo ,ó Intrudo,
                                        ó IntrudoTchocalhêro
                                        que nã dêxas assintari
                                         as velhas ao soalhêro."
      Quero falar de algo que nada tem a ver com o que entendemos hoje por "Entrudo " ou o chamado Carnaval.
       Quero contar-vos como era esse Intrudo da minha infância , da minha adolescência  , para que não se vá na voragem dos tempos....
    Mais uma vez ,temos de ir muito atrás , reencontrar Lusitanos , Celtas e  Romanos que entre Fevereiro e Maio celebravam o fim do Inverno e o início do Verão . O recolhimento do Inverno estava a chegar ao seu terminus ,para dar lugar ao tempo do renascer . E , se a Candelária começara já a anunciar essa mudança o Intrudo dizia-nos que  estávamos à sua porta . A palavra "Intrudo" ,como se diz nas terras de Idanha , significa" Introito" ou seja "Entrada ". Daí virá , creio , Entrudo . Quanto ao "tchocalhêro " que pode fazer lembrar "chocalho " tem aqui outro  significado ; quer ele dizer "período de brincadeira ou também ,pessoa brincalhona ". Estamos , pois, num período em que se deve brincar , festejar a aproximação do  fim do tempo tristonho e ,simultaneamente , lembrarmo-nos que iremos entrar num outro de recolhimento , de preparação para a ressurreição de toda a natureza  . Esse será a Quaresma , a quarentena ,que nos levará ao  fim das trevas do Inverno . É pois , um rito de passagem do tempo velho para o tempo novo ,é a despedida da noite e o acolher da Primavera , é a chegada da renovação da Mãe Natureza .
 Os romanos ,que lhe chamaram Carnaval , faziam desta época ,um período de subversão da ordem estabelecida . Após a Cristianização,na Idade Média , dizia-se que ,nesse período o mundo ficava às avessas e que o diabo andava à solta que as máscaras representavam as almas dos mortos que apelavam à vida .Diz-se ,por isso ,que a palavra Carnaval significará -a carne nada vale ,"carne levare ".
   Mas regressemos ao Intrudo . Entre o Natal e a Quaresma ,faziam-se na minha terra "Os Jogos" sempre que o tempo o permitia .Eram danças de rua  , rodas de rapazes e raparigas  nas tardes solarengas de domingo ;  nos Largos da vila como o de S:João , o do Espírito Santo ou Jardim , o da Estrada Nova e o do Alto Ferreiro , cantava-se e dançava-se e recordo ainda um desses cantares :
                                       " Siga a roda ,siga a roda
                                        qu'eu tameim lá quero ir,
                                         eu sou rapariga nova ,
                                        quero m'ir adevertir.
                        Refrão :    Sã  tã  benitas ,
                                        sã benitas são,
                                        vêm d'Alcafozis
                                        a venderi carvão.
                                       Ó que lindo rancho,
                                        tem a mocidadi ,
                                        cantai raparigas ,
                                       à vossa vontadi ."
    ( Mais tarde aprendi que o último verso era "viva a liberdade "! ...mas , naqueles tempos tinha de ser diferente  ,pois a palavra "liberdade" era subversiva :)
    No  Intrudo havia a destacar : a 5ª feira das Comadres ,  o domingo magro , a 5ª feira dos compadres , o domingo gordo e a 3º feira de Intrudo . Na 5ª feira das comadres , ( antes do domingo magro ) ,as raparigas solteiras reuniam-se ,num rito preparatório já do tempo novo , e escreviam em papelinhos os nomes dos rapazes . Depois, cada uma tirava um papelinho, ficando a saber o nome do seu compadre. Na 5ªfeira seguinte , "a dos compadres", os rapazes ficavam a saber quem era a "moça " a quem deveriam ofertar no domingo de Páscoa as amêndoas ; ela agradeceria com a oferta de um lenço , uma gravata  ,etc ; tudo dependia das posses de cada uma . Muitas vezes estes "compadrios" acabavam em noivados e casamentos.
 No Domingo Magro iniciava-se a preparação para o jejum quaresmal e , portanto , nesse domingo não se comia carne . Mas ,no Domingo Gordo era o contrário ; era um dos dias e que se comia  ,não só carne mas ,alguns dos "tchouriços " guardados especialmente para ele . Os outros ficavam para comer no sábado de Aleluia .Mas , Domingo Gordo era o dia de todos os excessos alimentares que iriam até 3ªfeira à meia-noite  Ora , este domingo marcava o início dos festejos . As raparigas vestiam os seus trajes de "Arraianas " e com ele se passeavam , dançavam nas rodas e nos bailes ,  acompanhadas pelo toque das concertinas e debaixo dos olhares protectores das mães..Lembro-me ainda de mim , criança , orgulhosa no meu traje de arraina ...      Agora , quero  lembrar as "caquédas "(cacadas) que muito arreliavam as mulheres da Idanha . Consistiam elas em atirar, pelas escadas acima das casas ou na sua entrada  ,vasilhas de barro contendo bugalhos , latas e outros pequenos objectos barulhentos . Claro que a dita vasilha se partia   ,sendo acompanhada duma grande barulheira . A dona da casa ,face ao ruído , corria para ver quem eram os malvados que lhe haviam"sujédo o seu almiére "... Mas ,eles ,normalmente já se haviam escapulido ,restando à dona da casa soltar algumas imprecações e limpar a entrada.. .Devo ainda acrescentar que a vasilha de barro , era normalmente roubada a outro vizinho ,sendo muitas vezes um vaso que ainda continha restos de terra .As partidas eram ,regra geral , levadas acabo pelos rapazes e as piores "caquédas " destinavam-se a pessoas  de quem não se gostava muito . Na 3ª feira bailava-se nas ruas, as mulheres mais velhas cantavam  ,atiravam-se serpentinas , pregava-se sustos às pessoas mas ,  antes da meia -noite, tudo tinha de parar . Havia que limpar os sinais dos folguedos ,pois tal já não seria possível , após as 12 badaladas do sino da torre da Igreja . Tal seria pecado ,porque havíamos entrado na Quaresma . Agora ,havia que pensar em ir à missa das cinzas ,recebê-las sobre a testa em forma de cruz e ouvir dizer : "lembra-te ó homem que és pó e em pó te hás-de tornar "...As festas só voltarão quarenta dias depois  ,com a Aleluia que aqui lhes digo ,é diferente da de todo o país... O mesmo se passa com a nossa Quaresma . Pelo concelho fora há  cerimónias únicas ,ao longo do tempo quaresmal , actos espontâneos que ficaram connosco ao longo dos séculos ,que passaram de geração em geração e que são feitos de todo esse saber , não havendo qualquer tipo de encenação .Por isso mesmo , pela sua riqueza histórico-religiosa , eles estão já neste momento na Unesco e em vias de serem reconhecidos como património imaterial da humanidade.
      Assim é a minha terra  ,essa de que me permito afirmar como Nuno Villamariz Oliveira : "Lugar onde se respira o ritmo  incessante das paisagens, ora secas , ora verdes de luz , como se aqui batesse O CORAÇÃO DE TODA A BEIRA BAIXA...."ou como muitas vezes Paulo Loução lhe chama :
    "terra de Mistérios"...    

P.S.- O trajo de "Arraiana " é colorido ; saiote de lã de cor viva ,plissado ,com listas pretas   em baixo , formando uma barra ; na cintura a sacola de lentejoulas e bordados ,é usada do lado esquerdo e o avental preto bordado ; a blusa branca com rendas e bordados ; o xaile , normalmente de cor preta , é estampado ou bordado a fio de seda , com ramagens coloridas ;  pode , no entanto, ter outra cor de acordo com a saia , cruza-se sobre o peito e , passando por baixo dos braços , ata-se atrás na cintura ; os sapatos são pretos ,as meias brancas e rendadas . Contrariamente ao que sucede noutras terras do concelho ,em Idanha -a-Nova não se usa , regra geral , lenço na cabeça  e a blusa tem de ser sempre branca .  

                                   
                BEM-HAJAM todos pela vossa visita ..                                                            
       

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

DIZEM QUE É O Ú LTIMO REDUTO DA VELHA LUSITÂNIA....

  Será que é mesmo ? Creio que sim . Se a interioridade nos legou algo de bom ,foi a preservação das nossas tradições. Por isso , nada disse sobre o dia dos namorados que se «instalou » entre nós há uns anos , depois de ter sido importado da Inglaterra e dos E.U. A. Na  1ª surgiu no século XVII e no 2º país no século XVIII. Diz-se ter na origem o dia em que Valentim ,bispo de Roma , que foi executado por ter desobedecido ao imperador Claudio II. Este havia-o proibido de casar os jovens em idade de servirem no exército romano , ordem que Valentim não cumpriu . Em Portugal , Santo António sempre foi o santo casamenteiro , tradição que levámos para o Brasil que soube resistir até hoje  à influência anglo-saxónica .   Sendo assim ,  esta não é uma tradição portuguesa e , muito menos idanhense .
 Como tal ,dei por mim a recordar os namorados , ou antes os noivos da minha terra ( nunca se usava a palavra namorado ,até há pouco tempo ... !) , em tempos idos. Lembrei que , mesmo o Santo António não tinha , na minha terra , o dom  da protecção dos namorados . Estas coisas sempre foram mais do domínio de São João ou antes São Joãozinho . Sim , ainda hoje é «ele » que se dá bem com a «malta nova » !!! Por isso , só jovens solteiros podem ser seus festeiros e , na época de Natal , o seu madeiro é da responsabilidade dos jovens . Aliás , é interessante ver como esse madeiro todos os anos agrega à sua volta a juventude ,não só  a residente , como a que vai  passar as festas em Idanha -a-Nova .
    A tradição fala-nos ,em Idanha-a-Nova , de mouras encantadas que apareciam na noite de São João e enfeitiçavam os jovens . Diz-se que elas tinham tesouros e nessa noite mostravam-nos para seduzirem os rapazes . Lançavam fios de ouro sobre as pedras existentes perto dos rios ( por isso os rapazes se afastavam do rio Ponsul , na Srª da Graça ...) ou das fontes onde habitavam . Outros dizem que era nessa noite que o  feitiço que as prendia , podia ser quebrado ,mas cada  uma destas situações passava-se ao nascer do sol . Portanto ,os rapazes deviam afastar-se desses locais antes dele nascer , senão seriam levados pelas «moiras »  . Por outro lado ,  fogueiras,  com muitos rosmaninhos ( ou rosmanos , como se diz na terra ) , eram acesas nessa noite em vários pontos da vila e ao saltá-las , os jovens de ambos os sexos  , faziam os seus pedidos .   A ele ,São João ,  se dirigiam esses  pedidos , se perguntava com quem se ia casar ,qual  profissão do noivo .... A ele se cantavam quadras pouco próprias de um Santo , como :
                                           S. João p´ra ver as moças,
                                           Fez uma fonte de de prata ,
                                           As moças nã vão a ela ,
                                           S. João todo se mata .
                         E então o refrão ...Ai repenica , repenica , repenica  ,
                                                         ai S. Jão a «sueri» em bica !!!
                                                         Ai repoupoula , repoupoula ,repoupoula,
                                                         ai S. João a «sueri »em «saroula »!!
 Creio que o Santo devia desculpar ....
Mas , também se usavam truques adivinhatórios . Lembro-me que todos eles tinham de ser feitos à meia  -noite e ao luar ; o resultado tinha de ser visto antes do sol nascer . Se não fosse assim a resposta não era fiável . Um desses truques era : num copo de água límpida e transparente deitava-se ,ao bater da meia - noite um ovo . Punha-se ao luar e , claro , antes do nascer do sol , ia-se ver em  que figura  se tinha transformado o ovo . Essa figura dar-nos-ia a profissão do futuro noivo ....
   Como devem ter reparado , temos aqui duas atitudes diferentes : no caso das mouras encantadas ,fala-se do sol ,enquanto nas práticas adivinhatórias e nas festas com fogueiras é a lua que está presente . O professor Leite de Vasconcelos diz estarmos face a um culto pré-romano em que divindades locais  ,como espíritos da natureza , são esses seres que são chamados de «mouras » . Mas a palavra «moira » aqui significa «destino» e seria grega  ; no basco , surge  «mairu » , que era o nome dado aos gigantes que , segundo a mitologia basca , terão construído as antas , os dólmens e os cromeleques ; no celta , «mori » significava sereia ou mar . E em Lusitano ,como lhe chamariam ? Talvez o saibamos um dia destes ,uma vez que as primeiras inscrições em língua lusitana já começaram a ser decifradas ...
 Sendo assim  , se por um lado parece estamos face a um culto solar , por outro , muitos aspectos  apontam  para um culto lunar e feminino . É mesmo este último que parece mais arreigado nas tradições idanhenses  ,não só pelos ritos que referi mas também pelo papel que as mulheres da minha terra sempre desempenharam  nas nossas  famílias . Claro que a cristianização , deu-nos um santo ,mas creio que este ,sim ,este tem na sua origem o solstício de verão e como tal o culto ao sol . Direi ,pois que de acordo com as origens lusitanas , o culto seria feminino e como tal lunar , após a romanização surgiu a parte solar .
 O que me leva a insistir na origem lusitana ? Segundo historiadores romanos --Tito Lívio , Diodoro ou o geógrafo Estrabão  os lusitanos consideravam alguns cursos  águas  e fontes sagradas atribuindo-lhe dons e prestando-lhe culto  ..Quanto à mulher  , ela era a gestora da vida familiar e da educação dos filhos . Desempenhava várias tarefas como tecer , tingir os tecidos ou , até mesmo,  participar na guerra . Quando não ia combater acompanhava os homens com cânticos guerreiros e exaltantes dos seus heróis. A família era monogâmica e era  a mulher que escolhia o marido . Tal se passou com a mulher de Viriato que , contra a vontade do pai ,disse tê-lo escolhido e que com ele se casaria . A mulher lusitana vestia trajos coloridos e enfeitava-se com colares , braceletes e arrecadas  , estas para impedir a entrada dos maus espíritos .
  Ora vejamos o que se passava em Idanha-a-Nova , pelo menos até há poucos anos : as mulheres tratavam de todos os assuntos referentes à gestão doméstica e aos filhos ; o homem entregava nas mãos da mulher o seu salário , a «féria » , recebendo depois das mãos dela algum dinheiro para as suas despesas  ;e as  mulheres mais velhas sempre gostaram de exibir o seu ouro ,com destaque para as suas arrecadas . No entanto ,esse ouro era visto como um bem a que se podia recorrer em caso de necessidade... mas que a mulher levava para o casamento . Creio que aqui está a mulher lusitana...
  E quanto ao namoro que afinal está na origem desta minha conversa de hoje , como era ele  em Idanha-a-Nova nos tempos de antigamente ? 
 Compunha-se de 3 fases : o falar-se da janela ( e quando a janela era alta era muito complicado ... Lembro-me de ouvir dizer que o pretendente estava a «tomar gargarejos !!!» Claro que era na brincadeira ... ) ; seguia-se o falar-se à porta (sempre com a mãe por perto !!!) ; e por fim , o entrar em casa . A mãe estava sempre presente ,cumprindo assim o seu papel de figura tutelar do lar zelando por tudo o que respeitava à sua gestão e bom nome . Qualquer uma destas fases , decorria em horas marcadas e com tempo não muito longo . O noivo , como era chamado desde o início , fazia chegar ao pai da noiva as suas boas intenções através da mãe . Só quando se atingisse a 3ª fase lhe seria permitido ser ouvido pelo que seria o futuro sogro.
 Quando  ,como normalmente sucedia , se chegava ao casamento , depois da saída dos « pregões », preparava-se com as «cantchanêras » a boda que durava 3 dias , depois de os noivos ,acompanhados pela mãe terem ido « prezar»!!!A noiva ,nomeio de um quadrado formado por familiares e amigos , de lenço de seda branco , exibia o seu ouro  , percorrendo as ruas principais da vila a caminho da igreja . As papas de carolo , o arroz doce e os pã-leves deliciariam todos ...À noite , ao som da concertina ,cantava-se junto à casa dos noivos os «parabéns » que já se tinham dançado à  tarde .... Os noivos tinham de vir à porta dar comes e bebes aos cantores....Só mais um pormenor : na véspera do casamento ia-se a casa dos noivos «ver a cama »; debaixo desta estava um bacio (penico) ,onde se punham umas moedas ....
            Mas , isso fica para outro dia ...
            Sejam felizes .... 


  « Parabéns te venho dar,
     Amiga do coração , 
     Espero que vás gozar ,
     duma feliz união .» 
                           Assim se cantava
            
        Quina Salgueiro      

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

TRADIÇÕES QUE VÊM DO MAIS PROFUNDO DOS TEMPOS

 Isso é a minha terra   ,Idanha-a- Nova , uma terra carregada de tradições !!!!
   Na verdade , no dia a dia de nossas vidas , estamos constantemente a deparar-nos com situações , que por nos serem tão habituais ,nem lhe prestamos atenção ! Mas, quando o fazemos paramos e perguntamos :  donde vem tudo isto ? Porque faço isto ou aquilo ? E , é aí que começamos a investigar e a interrogar os mais velhos que ainda estão connosco . Então , a partir das suas estórias ,eis que nos surge o caminho para irmos mais além .
 Queria , pois hoje recordar duas ou três  dessas tradições . O sociólogo e historiador Mircea Eliade , na sua « História das Ideias Religiosas » , diz-nos : «Por ocasião do Ano Novo , os deuses fixam o destino dos 12 meses subsequentes . Trata-se , sem dúvida , duma ideia antiga que encontramos no Próximo Oriente ; mas a sua 1ª expressão, rigorosamente articulada , é na  Suméria ».Ora em Idanha -a- Nova diz-se que os  1ºs dias do mês de Janeiro  «,pintam os meses» de todo o ano . O 1º dia ,diz o povo , tira-o para ele  enquanto os seguintes nos dirão como vai ser o resto do nosso ano . Sei que também em Trás -os -Montes se diz algo de semelhante ,mas quem nos diria a nós que dos Sumérios viria tal principio? De facto razão tem o sociólogo brasileiro Gilberto Gil ,quando diz que somos «um cadinho de culturas »..Mas os idanhenses, ou egitanienses
continuam  : a 20 de Janeiro ,o dia já tem uma hora por inteiro e quem bem contar  , hora e meia lhe há-de achar !! Aqui prevê-se não só o crescer dos dias mas , também a hora e meia a mais de sol que esses dias passarão a ter .Lusitanos e Celtas tinham já esta noção do crescimento dos dias e transmitiram-nos essa sabedoria . Mas , hoje é dia 2 de Fevereiro , aquele em que se comemora a Srª das Candeias . De onde vem esta festividade , que significa ? Lusitanos , Celtas  festejavam nesta altura a  Luz ; os dias maiores falavam do caminhar para dias cheios de luz com a qual a Mãe Natureza renascia ...Para os Romanos esta  era a altura em que se festejava a loba que havia amamentado os fundadores de Roma , Rómulo e Remo..Chamavam-lhe as «Lupercálias ». O Cristianismo chamou as festividades a si e deu -lhe o nome de festa da Srª das Candeias. Nesta época as trevas do inverno ainda dominam e a luz do sol ainda é fraca . Por isso , na minha terra , Idanha -a- Nova , antigamente fazia-se a procissão da luz  , onde  só mulheres participavam ; levavam candeias acesas ,para ajudarem o sol a ter mais força e entoavam cânticos e rezas . A tradição perdeu-se , apesar de se manter o ritual litúrgico .Mas , ficou-nos ainda o carácter adivinhatório desse dia  e por isso se diz : «Se a Candelária chora ( ou seja ,se chove  ) já o inverno vai fora , se ela ri , ainda está para vir »...E para terminar , deixo-vos mais uma influência Lusitana e Celta , já cristianizados , que passo a citar : « no dia da Candelária o urso sai da toca , olha a Lua ...,se ela estiver cheia o fim do inverno e o Carnaval  só chegam daí por 40 dias ,se for Lua Nova  ,esta , será a última da estação.
.Reparemos que é este o conceito que preside à  marcação da celebração da Páscoa ou seja ,  estamos face aum calendário de influência lunar.

   POR  ISSO , RECORDANDO  AQUILO QUE MINHA  AVÓ  MATERNA   ME  ENSINOU  recordo :
                                                         Se candeias acendeste
                                                          ou quiseste acender ,
                                                          a boa porta bateste ,
                                                          eu já te vou atender.
                                                         
                                                         Candeias pois , nós já vamos
                                                          acender por essas ruas ,
                                                          e orações nós cantamos ,
                                                          umas minhas , outras tuas .


                                                         Se a Candelária chora ,
                                                         o bom tempo já lá vem ,
                                                          mas se ela ri , ele demora ,
                                                          frio e chuva a gente tem.

                                                         Rezemos então irmãs ,
                                                         à volta desta capela ,
                                                         pedindo que venha sol ,
                                                         p'ra Terra ficar mais bela.

                                                        Mas se a chuva ainda for 
                                                        mui necessária por cá ,
                                                        qu'a Senhora das Candeias ,
                                                        nos dê a que cá não há .


                                                       E de candeias acesas ,
                                                       minhas irmãs , eu e vós ,
                                                       para o mundo de certeza , 
                                                       muita Luz pedimos nós .
                                                                   de   Quina Salgueiro , recordando....
                                                                                      e escrevendo em Lisboa 
                                                                                                1/2/2011


                                                          
                                       ,
           

 

    . 
       

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

E TUDO NA NATUREZA SE REGE POR CICLOS ... Assim , o Ano Velho morreu !

   Claro que todos sabem ,  que há poucos dias , passámos a dar uma nova designação ao ano pelo qual nos regemos . Fizeram -se festas , abriram-se muitas e muitas garrafas de campanhe , estalaram foguetes em coloridos fogos de artifício... Mas , como certamente já pensaram  ,não é disso que quero falar. Aliás, a relatividade do tempo é uma das muitas em que a nossa vida se desenrola ... Na época  dos nossos antepassados , diferentes foram o quando começavam ou acabavam os anos ; os próprios anos nem sempre tiveram o mesmo número de meses ; os calendários divergiram e continuam a fazê-lo... Tudo dependeu , daquilo que os povos consideraram ou consideram ser o facto mais marcante da sua cultura , para darem início a um novo ciclo .  Desde o princípio dos tempos que o Homem reparava nos movimentos da lua e também nas alterações da posição  do sol . Começaram  ,primeiro, por dar mais atenção aos ciclos da lua . Daí que os calendários mais antigos sejam «lunares ». Assim, hebreus , egípcios , persas , ou gregos tiveram todos calendários lunares . Mas , se , por exemplo , para os Egípcios o importante eram as cheias do Nilo que condicionavam as suas actividades agrícolas  , para  os gregos era o ínício dos «jogos Olímpicos » ... Mais tarde , alguns calendários lunares tornaram-se luni -solares , como foi o caso do hebraico ou  solares como sucedeu com os gregos . Já os romanos , com o seu calendário 1º lunar , depois  solar ,  guiaram-se pela fundação de Roma e  pelo consulado de Júlio César . O calendário juliano pôs fim em 45 A. C.  ao anterior , o de Rómulo que tinha  10 meses , no ano  708 da fundação de Roma. Este manter-se -à até 24/2/1582 quando o papa Gregório XIII publicou a Bula Inter Gravissimus que punha fim à confusão reinante ,devido à adaptação feita do calendário juliano pelo Cristianismo . Com esta adaptação, podemos dizer que nos regemos por um calendário luni-solar uma fez que, há festas importantes dos cristãos, que ainda hoje são movéis devido a esse facto .
   No entanto , outros calendários houve ou há, ainda no planeta . Lembramos o do Maias , o dos Aztecas , o dos Chineses ou o dos Hindus ... E , de certeza , que outros ainda ficam por referir . Mas , entre esses  não posso deixar focar  o  dos povos lusitano e celta . Ora ,desde os tempos mais remotos da Pré-Historia que, os povos que habitaram o nosso território, nos deixaram vestígios de como prestavam atenção aos movimentos da lua e do sol.  Profundamente ligados à natureza , orientavam-se pelos ciclos lunares , mas tinham também plena consciência da importância do sol . E , desses tempos ,em que a cultura Megalítica dominou as nossas regiões  ,chegam-nos monumentos que, nos fazem ficar  boquiabertos pela maneira como , à hora certa dos solstícios  , os raios solares incidem sobre eles .
Sabemos que entre os Celtas e provavelmente entre os Lusitanos , a 31 de outubro se iniciava o ciclo em que o sol estaria «mais enfraquecido  ». Renasceria depois , no dia do solstício, próximo de 21 de dezembro para ,a pouco e pouco ir ascendendo , trazendo a esperança de dias mais longos e cheios de luz .Essa esperança de luz está simbolizada nas fogueiras acesas ,nas refeições cuidadas tomadas à volta de  mesas enfeitadas , em família ,como se o clã ou mesmo o espírito da tribo continuasse entre nós. Os símbolos solares estão por toda a parte ,não só nas luzes mas também nos bolos que são , em geral circulares . A terra e o sol   «sentam-se ,assim , à nossa mesa ». Através dos bolos e  frutos secos , como  nozes , castanhas e bolotas de azinho ,  estão  simbolizadas as sementes que germinarão à medida que a terra for recebendo o calor solar. O Sol Menino renasceria pois , para alegria de todos . Com o critianismo , o sol passou a ser o Menino Jesus e , os lusitanos cristianizados , facilmente puderam manter as suas tradições . Estas , já haviam sofrido uma primeira adaptação com a vinda dos romanos  que , nesse período , comemoravam as saturnais .
  Assim , nos estudos que fiz não encontrei qualquer relevo dado à passagem do ano . Tudo, antes , girava à volta das comemorações do início da ascensão do sol , e da preparação para o novo tempo que começava a chegar . Por isso , talvez , porque na minha infância nunca assisti a grandes festejos na minha terra , pela mudança de ano , que ainda hoje ,essa data não é para mim um dia especial . Nos locais recônditos da Beira Interior Sul , hoje também há festas , luzes e foguetes ,mas a Beira Baixa da minha infância não me ensinou tal . Que me recorde ,talvez os «senhores » da terra bailassem na «Assembleia » e os da classe média no «Clube » . .. No entanto , pelos vistos na minha família não eramos muito dados a bailes ... e acreditem , não me fizeram falta.
      
        Assim quero contar-vos como era a «Minha noite de Novo Ano »

          Era dezembro , trinta e um ...
         Á meia -noite o sino da torre bateria 
         A última badalada
         que ,sem pejo nenhum ,
         o ano velho levaria ...
         Na minha casa o silêncio reinava ...
         Eu , inda criança ,na cama aconchegada ,
         quietinha ,por esse momento ansiava ...
         A minha mãe costumava dizer :
         -«É apenas o novo ano a nascer! ,
          É só mais um !...
         O que é preciso é termos saúde para viver ...»
         Festas , nesse dia ?!...Não ! ...
         Essas tinham sido
         a vinte e cinco ...
         e havia ,
         depois , o dia seis ,
         dia de reis..,
         mais as janeiras
         que se escutavam por todas as Beiras !
         Mas eu adorava
         ficar acordada,
         para ouvir no silêncio da noite,
         na torre da igreja ,
         a última badalada .
         Lá fora ... ,sabia ,
         a noite estava fria ,
        ou seria que até nevava ?!...
        Nas ruas ,por vezes , andavam grupos de rapazes,
        folgazões , , destemidos ,audazes ,
        pois ao ano novo cantavam 
        as cançõesque ainda o Menino embalavam...
        De repente , como cortando ao meu pensamento  o fio ,
        a primeira badalada surgiu !
        Depois as outras , compassadas .
        E , com a última ,
        como se estivesse com ela sincronizada ,
        um tiro de espingarda soava ...
       Aí , a minha mãe elevava a voz e dizia : 
       «-Meninos escutaram ?
       O ti Manel já o ano velho matou ,
       o ano novo chegou !...
       Alegria generalizada !
      Um coro de bom ano pela casa  ressoava.
      Depois , a minha mãe , sempre preocupada ,
      perguntava:
      -«Estão quentinhos ?»
     Um sim , gargalhado , a tranquilizava .
     «- Então durmam...»
     Mas , meu pai ,inda acrescentava :
     - «Que deus vos abençoe , filhinhos!»
    Eu ,feliz , ...sorria .
    A ternura da noite minh'alma acalentava ...
    Adormecia ,
    Ingenuamente ,crendo que sempre assim seria ,
    sonhava....
    
        Quina Salgueiro , (escrito em Lisboa a 4/1/2011 )
    
     

        
          

         

     
     

sábado, 18 de dezembro de 2010

A NOITE DO CARAMELO

 Eis ,  como se chama na minha terra à noite de Natal !!!  Sim , noite do caramelo , noite de frio , de geada sobre a campanha , que nos pede o calor dum bom lume . Na Idanha  a festa , que se iniciou no dia 8 com a chegada dos madeiros , continua agora no dia 24 , ao meio da tarde , com o «apetcher » dos ditos . No ar sente-se o cheiro exalado pelos árvores que começam a arder ,misturado com o das filhós  que , em cada casa , se vão fritando em azeite fervente depois de talhadas sobre o joelho ,coberto com um pano branco  . As mulheres iniciam , ainda ,  os preparativos da ceia , que tem de ficar pronta antes da ida ,  cerca da meia noite  , para a missa do galo . O bacalhau ,as couves tronchudas ,as batatas e demais iguarias como os sonhos , as fatias douradas ou fatias de ovo , o arroz doce e as papas de caloro  ,  terão  de estar na mesa  ,no regresso , tendo esta sido  posta com o maior dos cuidados . No canto da sala brilha uma lamparina . Na gruta , feita com musgo e pedras o Menino só será posto após a vinda  da missa ; marca -se assim , o momento da reunião familiar com a colocação de Jesus sobre as palhinhas . Depois , colocar-se-ão os sapatos na chaminé para que os presentes neles estejam  ao amanhecer  do já iniciado dia 25 .  Mas , a festa decorre  , apesar do frio , principalmente na rua . Depois da ceia  ,manda a tradição que se percorram os 9 madeiros . Perto deles ,grupos de jovens e menos jovens  que  vão «apetchendo»  com as mocas  os madeiros , assam chouriças , febras e outras iguarias trazidas de casa ; o garrafão de vinho está ao lado !!!Cantam-se louvores ao Menino. Mas , entre eles há um que se destaca . .. Passo a recordá-lo :
                                                                  Alegre-se os céus e a terra
                                                                  Cantamos com alegria
                                                                  Que já nasceu o Menino
                                                                  Filho da Virgem Maria .

                                                                 Ó meu Menino «Jasus » ,  
                                                                 Ó meu menino « tã » belo ,
                                                                  Logo vieste nascer
                                                                  Na« noute» do caramelo .
 (e num coro mais estridente !!!!....) :     
                                                                 Natal , Natal,
                                                                 Natal , Natal ,
                                                                 Filhós com vinho ,
                                                                «Nã» fazem mal. (bis)
E , assim será pela noite fora ,sim , porque os madeiros continuarão a arder mesmo para lá do dia 25.
Recordarei,  ainda , uma outra tradição : o levar para casa algumas brasas de um madeiro ,fogo sagrado que  as protegerá  . 
    Perguntar-me-ão de onde vêm todas estas tradições . Remontam elas ao tempo de Lusitanos e Celtas e , por isso os madeiros surgem noutros locais das Beiras e mesmo de Trás -os -Montes  . No entanto , é na Idanha que os madeiros surgem em maior número . Estudos que , actualmente , se vêm fazendo mostram que a região de Idanha -a-Nova conservou , talvez devido ao isolamente a que durante muito tempo esteve votada , muitas tradições que herdou nalguns casos , directamente das práticas lusitanas , ou de outros povos que se fixaram na região , como fenícios , egípcios , gregos , romanos , suevos e visigodos . Da Idade Média vieram-nos também algumas práticas (como as da Semana Santa , na Quaresma , neste momento candidata na UNESCO , a património imaterial da humanidade ) .
   Mas , retomemos o ciclo do Natal . Para Celtas e Lusitanos , nesta altura do ano , era a época em que era necessário acender fogueiras para que o sol retomasse a sua força . Os dias pequenos atingiam  o seu cume e  a Terra precisava de luz para ressurgir . Assim , prestava-se homenagem ao sol , fonte de vida ,para que a natureza começasse a sair da escuridão e caminhasse para a regeneração que será a Primavera . Também os romanos prestavam  culto ao sol ,tendo o calendário juliano fxado a data do  solstício de Inverno em 25 de Dezembro , no ano 46A.C. O imperador Constantino , no séc IV ,  tomou a decisão de colocar nessa data o nascimento de Jesus , sendo a data assim cristianizada .Tal sucedeu  com tantas outras festividades , para mais fácil conversão dos pagãos ao cristianismo . No entanto , já entre persas , egípcios e gregos se prestava  , nesta época , culto ao sol.
    Portanto , o que se passa na Idanha -a-Nova dos nossos dias é , para além da celebração do nascimento de Jesus , ( o Menino que  deve ter nascido entre os finais de Março , inícios de Abril altura em que os censos romanos costumavam decorrer . Ora , como nos diz a Bíblia , Maria e José dirigiam-se a Jerusalém para o censo que decorria antes da Páscoa ...) a repetição de uma tradição que os Lusitanos nos legaram e nós conservámos .
  Foi em louvor dessa cristianização dum acto pagão , que escrevi :
 
                                                                  Sabeis Vós , Minha Senhora ,
                                                                  E Vós , Menino Jesus
                                                                  P'ra minha casa eu levo ,
                                                                  Dum destes madeiros ,
                                                                  Luz ...
                                                                  Assim tenho ,
                                                                  Bem sabeis ,protecção p'ro ano inteiro,
                                                                  Pois o seu lume é sagrado,
                                                                  Sempre nos foi ensinado..
                                                                  E se connosco ele ficar,
                                                                  Nas brasas desse braseiro,
                                                                  Elas nos protegerão
                                                                  As casas , o nosso lar ,
                                                                  Benditos eles serão.
                                                                  Eis a crença , nestas terras ,
                                                                  Desde os tempos de antanhos ,
                                                                  De Celtas e Lusitanos
                                                                  Que as tradições nos deixaram.
                                                                  E todos mas recordaram ,
                                                                  Desde criança  que era ,
                                                                  P'ra que sempre se fizera
                                                                  Aquilo que nos foi dito,
                                                                  Neste dia tão bonito ,
                                                                  Em que o sol visita a Terra .
                                                                     Quina Salgueiro , Lisboa 16/12/2010)


    Mas , como a Senhora do Almotão  está sempre presente no nosso dia a dia ...digo:                
                    
          Senhora do Almotão
          Olha os madeiros que ardem ,
          É p'raquecer Teu Menino
          Que os homens fogueiras fazem.

          Senhora do Almortão
          Ouve as vozes , estão cantando,
          É «noute » do caramelo ,
          Teu Menino estão louvando.

         Senhora do Almurtão
         Os madeiros estão a arder ,
          Hoje é «noute » de Natal,
         Amanhã vou-t'aí ver .
            Quina Salgueiro , ( Lisboa , 16/12/20010  )

                                        BOM  NATAL    FELIZ   ANO  NOVO !!!           
                                                                                                                                                                        
                REVIVAM        AS      NOSSAS    TRADIÇÕES          SEJAM    FELIZES 
                                                                                                                                                                      
                                           REVIVAM   AS   TRADIÇÕES ... SEJAM FELIZES               
   Um dos 9 madeiros ---S. Sobral                                                            

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E DEPOIS DAS TREVAS SURGIU A LUZ

 Não , não vou falar-vos da Idade das Trevas ... Essas , não são brancas e frias , mas negras  , frias , chuvosas e ventosas e continuam a querer rodear-nos , não só sobre a forma de fúria dos elementos , mas  também de «crise »....No entanto , vou esquecer por uns minutos tudo isso e , vou falar-vos de uma tradição da minha terra . Tem ela origem nos tempos remotos de Lusitanos e Celtas e integrava-se no culto à «mãe natureza ». Depois de a 31 de Outubro terem comemorado o inicío do recolhimento dessa mãe que a todos acolhe , os nossos antepassados comemoravam a 21de  Dezembro o solestício de Inverno , ou seja o dia em que o sol mais se aproxima da Terra  . Faziam para isso fogueiras afim de o ajudar a recuperar o seu calor , ( acreditavam ! ) para assim prepararem o renascimento na Primavera . Então a Luz regressaria com todo o seu esplendor e toda a natureza rejubilaria . Mas  falemos dessa tradição ... Sei que ela existe em quase toda a Beira Interior e noutros pontos do países . No entanto , creio , na minha terra assume algumas características únicas ... Estou a falar da tradição dos «Madeiros » . No dia 8 de Dezembro os vários madeiros , sim porque são 9 , ( o do Menino Jesus , o de S: João , o de S: Pedro , o de N. Srª das Dores ,o de S. Jerónimo ,  o do Espírito Santo , o de S. Sobral ou também de S. Joaquim eo de N. Srª da Graça  )  entram na vila aí entre as 10 e as 11 horas da manhã ; vêm ,actualmente , em tractores ou camionetas de carga  ( antigamente vinham em carros de bois ) , engalanados com ramos e flores , ao som de concertinas , pífaros etc ; dão-se vivas aos madeiros e a quem os deu ;  destribui-se vinho pão e febras e o povo vem para a rua saudando -os  e entrando na festa . São colocados ,esses troncos que são árvores que já estão «mortas » e não cortadas simplesmente  , em encruzilhadas perto ou mesmo em frente às capelas e àIgreja matriz  ,envoltos nas flores e ramos , até que serão acesos na tarde do dia 24 . É desta festa que  vos fala o poema que escrevi  há um ano ..
 
     Hoje é 8 de Dezembro ,
     Como gosto deste dia !,
     É dia da padroeira  ,
     Dia de muita alegria.
 
    Vêm , chegam os «Madêros »
     E como estão enfeitados ! ,
    Com ramos e muitas flores ,
     Este é  um dia encantado .

     Há vivas e alegria  ,
     Uns gritam «vi v'o madêro »!!
      E logo outros respondem ,
     Que ainda está  « intêro».

      Mas outros vivas se dão ,
      Àquele que nô-lo «dou» ,
      Assim como acrescentam,
      Viva quem o transportou .

     E p'ra festa ser maior ,
     Há música , vinho e pão ,
     Há febras ,que bom odor ,
     São da nossa matação ..

     Há música e alegria ,
     Tocam os  bombos e o pífaro,
     E tocam as «conçartinas »,
     Cantam vozes à porfia .

     Já as canções de Natal
     Se ouvem aqui ,além ,
     Como elas não há igual ,
     Viv'o Menino en Belém .

      Como gosto deste dia
      Em que chegam os « madêros »
      Há festa , há alegria ,
      Traz-se o musgo e o « pinhêro ».

      Faz-se o presépio e a árvore ,
      Mas aqui tudo é diferente ,
      Reina a paz e o amor
      No Natal da minha gente . 
              Quina Salgueiro  ( escrito em 8/12/ 2009 )

NOTAS  : As palavras entre aspas estão de acordo com a pronúncia típica da Idanha
                             Na noite de Natal , após a Missa do Galo e a Ceia  ,as pessoas percorrem os madeiros vendo qual é o maior . Segundo a tradição o maior deve ser o do Menino Jesus , mas mesmo assim há rivalidade ...
 Usam-se «mocas » ( paus  compridos com uma das pontas arredondadas  ) para bater nos madeiros e espevitá-los .
À volta dos madeiros canta-se , assam-se petiscos para comer e bebe-se vinho ,jerupiga  ,etc
 Houvem-se cânticos toda a noite ...que termina já ao amanhecer , altura em que , 2º a tradição , as crianças iam à chaminé buscar as prendas que o Menino Jesus tinha trazido ..

  Por estranho que pareça ,a padroeira de Idanha-a-Nova é  N. Srª da Coneição e não a Srª do Almotão . Tal facto deve-se aos templários que construiram o castelo da Idanha .
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