quinta-feira, 24 de abril de 2014

O 25 de Abril e as memórias de meu pai preso 2 vezes pela pide



    Pois é amigos , hoje não venho falar-vos das tradições da minha terra . Venho sim falar de um idanhense de coração que muito amou estas terras , apesar de ter nascido albicastrense . E num dia em que estamos nas vésperas do 25 de Abril e tanto se fala de "memórias " não só da revolução dos cravos mas também daqueles que sofreram às mãos dos esbirros da polícia política , permitam que , uma vez que ele já não está entre nós , vos fale de meu pai  a quem tanto amei e continuo a amar . Foi ele preso político e foi-o por 2 vezes  .Na 1ª vez eu ainda não era nascida e , morava  à época , o meu pai , em Belmonte . Estava-se então em plena época da guerra civil espanhola .Como  nos contou , ao fim do dia de trabalho na sua fabriqueta de estofos de autocarros , tinha por hábito satisfazer um pedido de quem trabalhava com ele e também dos seus vizinhos . Esse pedido era tão sómente ler-lhes o jornal !!Naqueles tempos poucos eram os que sabiam ler , mas todos queriam saber o que se passava em Espanha .Temiam pelo alastrar da guerra a Portugal , por isso ansiavam por notícias .A fome já alastrara por Portugal onde se comia pão feito de bagaço de azeitona para que o governo de Salazar pudesse abastecer com o trigo português o exército fascista de Franco assim como os seus seguidores . As pessoas que também já viviam com senhas de racionamento almentar , estavam revoltadas ...Ouviam o meu pai ler as notícias e dizia -se mesmo que os mortos eram atirados ao Tejo e os seus corpos entravam no território português . Ficavam revoltadas e diziam mesmo que também os portugueses se deviam revoltar contra o governo ...Tudo isto fez com que meu pai fosse considerado um revolucionário ; havia apenas que preparar um plano para o prenderem .Assim , alguém que se fazia amigo dele , começou por aparecer  com  o jornal "Avante "na fábrica  e tentou aliciá-lo ; depois , como o meu pai percebeu o truque , colocou-lhe vários jornais escondidos   na fábrica . A PIDE apareceu de seguida , (já informada sobre os jornais escondidos  )e prendeu o meu pai .Aí começou o calvário de um homem que apenas satisfazia o pedido daqueles que não sabiam ler ... Foi então levado para Coimbra e de Coimbra para Lisboa . Caxias aguardava-o . Tinha sabido ,neste trajecto , como actuava a Pide  . Das torturas corriam  as notícias entre outros presos ..Sim , porque  muitas tinham sido as prisões por esse país .Caxias abarrotava ; nas  selas , que  não tinham sequer casas de banho e apenas palha no chão ; os presos gritavam e atiravam-se contra as grades; o cheiro a urina e a dejectos era terrível :A revolta aumentava :Os polícias começaram a tirar então alguns presos e a levá-los ..Para onde ? ! Meu pai não sabia .Apenas soube que chegou a sua vez e que foi levado para interrogatório . Foi torturado , espancado , mas nada disse ...Terminou numa sela onde a água do Tejo entrava quando a maré enchia e lhe chegava ao pescoço...Na sela  o espaço era pouco que o meu pai nem se podia mover .Ali de pé , mergulhado em água ficou ....não sabia por quanto tempo .De quando em quando um polícia passava e gozava o panorama .O meu pai só se lembrava de ter adoecido e arder em febre. As pernas não o aguentavam já e pensou estar no fim dos seus dias  . Apenas sabia que , ( porque tiveram um gesto  de caridade ?!!!) acabaram por o tirar e levar para a prisão do Aljubre . Aí foi recuperando e conheceu então outros presos . Mas também ali havia práticas temíveis : todas as noites vinham 2 ou mais polícias buscar um ou mais presos .Corriam entre os presos que ficavam que muitos eram levados até a uma zona da cidade (hoje o Areeiro )e postos em liberdade ; mas quando este saiam das carrinhas que os levava eram abatidos pelas costas . Por isso todas as noites meu pai pensava que chegara a sua hora .E chegou , mas ,graças aos céus  foi levado para interrogatório .Haviam encontrado nas coisas de meu pai um crucifixo e tal acharam estranho ..."Para que raio queria um comunista um crucifixo "---interrogavam-se  .Entre murros e pontapés tentaram saber ,mas meu pai apenas podia dizer-lhe que em miúdo a mãe lho tinha dado e o trazia consigo na carteira .Foi então que disseram enquanto se riam e gozavam esfregando as mãos : "Então se assim é deves saber rezar...AH!!AH!!! , Já vamos ver ...Reza aí o pai-nosso  e a salvé-rainha  ...Se nos mentiste estás arrumado ".Meu pai rezou ...Os pides espantados vestiram-lhe o casaco e puseram-no  à porta da rua dizendo :"Sai daqui ou ainda nos arrependemos ".Meu tremia , avançou alguns passos e desmaiou no meio da rua .Voltou a si com algumas pessoas à sua volta e dentro de um café que ali ficava (que creio que ainda existe !)e que diziam : "Mais um desgraçado !!!" Eram pessoas boas ; cuidaram de meu pai  e até lhe emprestaram dinheiro para regressar a Castelo Branco .Pensou então ter ficado livre de tal gente ....,mas não -Em 1952 houve" eleições "para a presidência da República ;só os homens podiam votar .Rui Luís Gomes enfrenta o candidato  do regime  .Para que não ganhasse a pide procedeu a uma onde de prisões e foi assim que meu pai foi de novo preso  perto do Fundão ; foi levado para a Covilhã e daí para Coimbra  .Nós ( sim que eu já tinha 6 anos e meu irmão 2 , minha mãe e avó...todos a viver em viver em Idanha-a-Nova ) de nada fomos informados .Lembro bem as muitas lágrimas que chorámos  ...O camião de meu pai (que como deduzirão organizara a sua vida , constituira uma família ...) foi encontrado abandonado e nada mais até que as eleições passaram . Depois delas foi libertado ...Sofreu e toda a sua família também . Eu nunca mais esqueci aqueles dias .Quando mais crescidos , meu pai contou-nos o que acabo de vos narrar .Costumava também pedir-nos que não nos metessemos em política pois ele voltaria a ser preso; sendo nós menores (lembro que a maioridade era aos 21 anos !) ele seria o responsável .Dizia que não aguentaria   outra prisão ...Todavia ainda lhe restava saber algo mais .Após o 25 de Abril , meu pai, juntamente com outros presos políticos da região , foi homenageado em Castelo Branco no quartel de Cavalaria pelo MFA (Movimento das Forças Armadas ) .Foi aí , na homenagem que lhe foram mostradas as cartas  enviadas para a pide sobre o comportamento de meu pai ao longo de todos aqueles anos .E ...querem saber ?! "O bufo "era alguém que se fizera seu amigo e fora mesmo seu sócio no início da pequena empresa de camionagem que meu pai criou entre Castelo Branco e Idanha-a-Nova .Claro que não vou dizer o nome do "bufo " ; já não está entre nós e todos nós já o perdoámos .
     Aqui ficam pois as minhas memórias sobre o que meu pai sofreu .Talvez para muitos idanhenses que o conheceram como o "sr João da Silva da camioneta " tal seja  algo que nunca pensariam que ele tivesse sofrido .Os seus filhos cresceram  e sentiram sempre que estavam a ser vigiados : ouviam o gravador ligar do lado de lá quando faziam ou atendiam  um telefonema , recusaram-lhe as bolsas de estudo na Faculdade quando tinham notas para elas....etc , etc , etc ...
MAS ENFIM O 25 DE  ABRIL  DE 1974  CHEGOU  E ELE TORNOU_SE  NUM DOS  DIAS  MAIS  FELIZES  DE  NOSSAS  VIDAS . ESTAVAMOS  FINALMENTE LIVRES  DE ESPIÕES .    Espero que assim seja ....
  A TODOS  DESEJO  UM FELIZ  25  DE  ABRIL E QUE O SEU ESPÍRITO  SE MANTENHA ENTRE NÒS  :SERÁ  ???  NÃO  QUERO  PERDER  A  ESPERANÇA  E VOLTAR  A TER  MEDO DE FALAR ......

    25   DE  ABRIL  SEMPRE   FASCISMO   NUNCA MAIS  !!!!!!!!!!!!!



27 comentários:

  1. Olá, Quina!
    Diz-se que quem não se sente... e é esse o seu caso.
    Toda a minha solidariedade vai para si e para os milhares que, sem saberem porquê, qual Inquisição se viam nas malhas da PIDE. Muito embora comungue dos sentimentos de quem detestava a PIDE, tenho para mim que bem piores, se é que neste caso se pode aferir da bondade dalguns, eram os chamados “bufos”, pela simples razão de que a estes ninguém os conhecia, enquanto que os outros, normalmente andavam fardados. Mesmo assim, entre uns e outros...
    Pessoalmente nunca fui, não sou, de me meter em políticas mas isso, todos o sabemos, não era preciso para sermos acusados do que quer que fosse. Posso dizer mais, eu desde os 14 anos metido no mundo operário e durante 6 anos vivendo numa parte de casa, paredes meias com um indivíduo da PIDE, senhor que raramente via, nunca me vi metido nesses trabalhos. Terei tido a sensação de que qualquer coisa se passava em meu redor, apenas quando andei embarcado mas foram apenas suposições. Pouco antes, eu além de aluno da Náutica, estava envolvido na construção das fragatas para a Marinha de Guerra, a coisa metia americanos e era “altamente secreta” no entender deles. Portanto, sorte a minha, tive uma vida “calma”.
    Agora, vou continuando à espera do 25 de Abri!

    Abraço,
    João Celorico

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    1. Olá João , gostava de concordar consigo sobre a pide , mas não posso .Nunca conheci nenhum dos seus elementos fardados , mas sim vestidos da tradicional gabardine e chapéu ou simplesmente como qualquer cidadão Mesmo quando nos tempos de estudante fugi para não ser presa ou espancada , quem carregava era a polícia de choque ...As torturas que os pides tinham coragem de aplicar eram terríveis...Mas não quero lembrar nada disso ...Apenas espero que não voltemos a tais tempos......
      Abraço

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  2. Primeiro que tudo o meu respeito pela memória do senhor seu pai e pelo sofrimento da família. Quando saí da escola ao 11 anos, eu que queria estudar, escrevi uma carta ao Salazar. Não era nada de mais apenas eu queria estudar, nós eramos muito pobres e eu pensei como criança que era que se lhe contasse, ele que era o chefe do país me ia pôr a estudar. Por causa disso meu pai ia sendo preso, já que para a PIDE era ele o autor daquela carta, afinal eu era uma criança. Salvou-o o patrão, o Filipe Bensaúde dono da Parceria Geral de Pescarias, o homem mais influente dos Açores e uma das grandes fortunas do país, que usou da sua influência, e se responsabilizou por ele, afinal meu pai era a sua "besta-de-carga" ele sabia bem que meu pai vivia para a família e para o trabalho. Mesmo assim, eles pesquisaram o passado do meu pai e descobriram que mais de vinte anos atrás meu pai não tinha pago um par de botas quando esteve na tropa, e foi preso por roubo de património do estado. Novamente o patrão intercedeu por ele e conseguiu que fosse preso no Batalhão de Caçadores 5 em Campolide, onde teve de estar 6 meses para repôr o património. Isto aconteceu em 1963. Durante muito tempo me culpei por isto, hoje já percebi que eu era uma criança, e que não tinha como imaginar o estrago, que o simples desejo de poder estudar poderia fazer.
    Sei de muitos que foram igualmente presos pela PIDE e nunca mais voltaram. Infelizmente hoje em dia se ouve cada vez mais pessoas a gabarem o ditador, como se tivessem esquecido todos os que foram presos e morreram e no Barreiro foram mais de 400. Ainda hoje o ouvi no telejornal da 1. Temo que a atuação dos governantes esteja a desesperar tanto o povo que o leve ao esquecimento do que foi a vida antes do 25 de Abril, abrindo caminho para uma nova ditadura.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Elvira , quero gradecer-lhe a "sua história de criança " Ela traz-nos e divulga uma faceta do ditador que muitos desconheciam e agora até podem vir a conhecer .Bem haja por no-la ter narrado .
      Quando ao demais digo.lhe que partilho os seus temores ...Esperemos que tudo não passe de um temor nosso que nos ficou de crianças ...
      Beijinhos

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Amiga Idanhense
    Que poderei eu dizer-lhe que ainda ninguém lhe tenha dito sobre o seu pai? Palavra que não sei...
    Correndo o risco de ser banal, sempre lhe quero dizer, que o orgulho que tem pelo seu pai, deverá ser igual ao que o seu pai sente por si, (ou sentiria por si, se fosse vivo).
    Um grande abraço.

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    1. Amigo albicastrense , o seu "não saber que dizer.me " senti-o bem presente neste seu comentário . Fico -lhe grata por ele , pois mostra que esta homenagem que decidi fazer a meu pai , valeu a pena .Ele ficaria (ou ficará ??!!) também orgulhoso de ter conterrrâneos como o meu amigo
      Um grande abraço

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  5. Olá Quininha
    Quero associar-me à homenagem que quis prestar ao seu pai, partilhando essa experiência secreta e dolorosa.
    Das minhas memórias de infância mais intensas é o toque dos sinos da torre da igreja, que todos os idanhenses, desde a mais tenra idade sabíamos identificar: toque a avé-marias, missas, a finados (rico ou pobre, homem ou mulher), a "anjinhos", a batizados, ao fogo.
    E o toque a rebate por motivo de "fogo" tenho-o sempre associado à figura do seu pai. Era ele que, na sua "camioneta", primeiro chegava à praça, para transportar quem quisesse ajudar. E o camião enchia-se de homens, mulheres e crianças, num ato espontâneo de solidariedade, absolutamente comovente. Também em dia da romaria da Senhora do Almurtão, no regresso da festa, a camioneta do Sr. João da Silva vinha sempre a abarrotar! Foi esta a solidariedade vivida e imaginada no 25 de Abril de 74, que hoje, a meu ver, está ameaçada. O pessimismo dos dias que correm faz ressaltar a condição do " Homem, lobo do Homem". Mas para uma idanhense sonhadora transcrevo as palavras de outro sonhador , que muito admiro: Manuel António Pina.
    "Coisas que não há que há

    Uma coisa que me põe triste
    é que não exista o que não existe.
    (Se é que não existe, e isto é que existe!)
    Há tantas coisas bonitas que não há.
    Coisas que não há, gente que não há.
    Bichos que já houve e já não há,
    livros por ler, coisas por ver,
    feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
    pessoas tão boas por nascer,
    e outras que morreram há tanto tempo!
    Tantas lembranças de que não me lembro,
    sítios que não sei, invenções que não invento,
    gente de vidro e de vento, países por achar,
    paisagens, plantas, jardins de ar,
    tudo o que eu nem posso imaginar
    porque se o imaginasse já existia
    embora num lugar onde só eu ia..."

    Até breve
    Teresa Martins

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  6. Teresa é de lágrimas nos olhos que venho agradecer-lhe as suas palavras para meu pai e o poema para mim .Só me resta agaradecer-lhe e , bem a nosso modo dizer-lhe : Bem haja !!!
    Um grande abraço

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  7. Eu não vivi o regime nem Salazar, nem a Pide e sempre fiz o que me apetecia… se alguém me impedia de fazer alguma coisa era a minha mãe o o meu pai...mas tenho conhecimento que foram tempos difíceis para tantas famílias portuguesas. Estranho é ouvir pessoas dizer que faz cá falta um Salazar ou mais, mas acho eu que ninguém quer nova ditadura!
    Tocou-me a história do seu falecido pai e, confesso, deixou-me também os olhos cheios d´água.
    Quem não fica?
    Que nunca esqueçamos os que lutaram e sofreram para que hoje possamos viver em Liberdade.
    Beijinhos e tudo de bom.

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  8. Bem haja pelas suas palavras.Também quero crer que ninguém voltar a desejar uma ditadura , mas ,às vezes ouve-se cada coisa ...Enfim , esperemos sempre tempos melhores
    Beijinhos

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  9. Amiga Idanhense Sonhadora.
    Sendo você de Idanha-a-Nova, gostaria de lhe pedir um favor:
    Entre 1973 e 1975 prestei serviço militar num destacamento de fuzileiros em Angola, desse destacamento fazia parte um camarada meu de Idanha-a-Nova.
    Nos finais de 73, ele foi evacuado para Luanda por motivos psicológicos e nunca mais soube nada dele, se for vivo ele andará pelos 60 anos.
    Lembra-se de alguém na sua juventude que tenha ido para a marinha na década de 70 ?
    Como ele esteve pouco tempo no destacamento não recordo o seu nome, será que este meu camarada ainda está vivo e que possa estar a residir na Idanha?
    Se conhecer alguém que possa ter estado na marinha nesse tempo, agradecia a informação.
    Abraço

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  10. António , , olá ! Gostaria de o ajudar ,mas nesse períodojá eu estava mais por Lisboa .No entanto , com essa idade parece-me que terá sido companheiro de escola do meu irmão ;Vou pergntar-lhe .Vou tb por "em acção " a senhora que toma conta da minha casa na Idanha e que normalmente é bem informada .Agora tb me ocorreu que o meu cunhado esteve em Angola mais o menos nessa altura:Vou perguntar-lhe .Quanto a mim só me lembro dum caso semelhante mas em Moçambique e era mais velho,Se conseguir notícias deixo-lhe uma mensagem no facebook
    Um abraço

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  11. Amiga Idanhense.
    Bem-haja e desculpe esta trabalheira.
    Abraço

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    1. Não tem que agradecer ...Vou continuar alerta e quando lá for falar com outras pessoas .
      Ab.

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  12. Não conhecia os acontecimentos que narra, relativos ao seu pai. O seu irmão nunca me falou sobre o pai, nem mesmo depois do 25 de Abril. A divulgação das prisões arbitrárias de seu pai é importante, especialmente para quem não viveu nos tempos da ditadura , ou para quem não conhecia a forma de actuar da máquina repressiva montada por esse regime. Obrigado pela partilha.

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  13. Olá Aquiles , de facto enquanto jovenzinhos tinhamos medo de falar sobre o assunto ; queriamos também cumprir a promessa feita a nosso pai "não nos metermos em nada senão ele não aguentaria" .Claro que após sermos maiores a coisa modificou-se quanto ao cumprimento .O João como dirigente académico (vice-presidente )...ele que um dia conte ....Eu pertenci à tentativa de formação da Pro.-.Associação de Professores que acabou por ser proibida ;lutei pelo uso de calças pelas mulheres como se vê na minha capa do facebook e na escola pertencia ao grupo que saído da faculdade durante a crise de 68/69 , procurava enfrentar o Director ...Dava uma boa história ...até porque tinhamos ganho a confiança dos alunos dos cursos nocturnos que eram operários da CUF (a escola era a Alfredo da Silva do Barreiro) .Acabei a minha carreira "política " na 1ª comissão sindical da minha Escola .Depois "prendi-me" nas mnhas convicções , enquanto o meu pai regressava tendo sido membro da Assembleia Municipal da nossa terra até alguns meses antes de falecer em 1990 .
    A divulgação daquilo que meu pai sofreu foi por mim tomada , pois achei que o meu pai o merecia nestes 40 anos do 25 de Abril .Quando o escrevia falei com o João que concordou e achou que já devia ter sido feito .Mas sabe , havia tanta coisa para dizer que se fica sempre com receio de que achem que nos estamos a "exibir ."Mas não , foi por muito amor a meu pai e pelo homem que ele foi que decidi fazê-lo .O medo que parecia ter vivido sempre comigo , foi , finalmente vencido e , quem me havia de dizer , numa fase em que me parece que o medo está de regresso ás terras lusas
    Um abraço.

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  14. Quina

    O 25 de Abril é o arrepio de alívio pelo fim do medo. Obrigada pela partilha, pois são muitos os heróis anónimos que merecem ver a sua história contada.

    Beijos

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  15. Bem haja Fátima pelas sua palavras.Achei que devia isto ao meu pai que eu adorava e continuo a adorar .Cresci no medo de , sendo ele apenas uma boa pessoa , voltasse , algum dia , a ser preso .Nem calcula o alívio que senti quando o 25 de Abril se deu .Foi algo que não consigo traduzir em palavras .
    beijinhos

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  16. Bem-haja Quina, por partilhar essas memórias de um passado ainda relativamente recente, mas que muitos parecem ter já esquecido!...
    É bom não esquecermos que houve ditadura, que houve pide, que houve bufos...
    Que perdure a LIBERDADE que o 25 de Abril nos trouxe.
    Um abraço beirão

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  17. Olá amiga Idanhense sonhadora:
    A historia de seu pai tocoume "a fibra", meu reconhecimento e homenagem para ele e para todos aqueles que sofreram a repressão da ditadura.
    Sou um vizinho da raia espanhola, perto de Idanha, e gostei muito do blog,
    desculpe por meu português.

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  18. Julian ,tenho muito gosto em o ter por aqui .Ainda bem que gostou do meu blogue .Espero que continui por cá e digo.lhe que o seu portugu*es é óptimo.
    SEJA BEM.--VINDO
    BEM HAJA

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  19. Quina

    Quando após o 25 de Abril as referências à PIDE nos davam a ideia de que a sua acção incidia essencialmente nos grandes meios urbanos e Alentejo, são histórias com esta que mostram como os tentáculos da ditadura chegavam ao mais recôndito dos lugares.

    Nota: já tinha aqui deixado comentário que parece não ter entrado.

    Abraço

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  20. Olá Chanesco , és bem verdade o que diz .Pensou-se e muitos o continuam a fazer que só no Alentejo e grandes meios urbanos a PIDE actuavaMas quem como nós a sentiu , sae como ela actuava por todo o país não nos deixando de perseguir até ao dia 25 de Abril .Por isso esse dia continua a ser para mim um dos dias mais felizes da mjnha vida .
    (De facto o seu comentário não tinha entrado )
    Um abraço

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  21. Evidentemente que o mal-feitor de S. Comba fez a vida negra a muita gente, mas o que é mais confrangedor é ouvir "boa gente" dizer que o antigamente era melhor. Os pintainhos ao nascer seguem a galinha, porque é a primeira coisa que vêem. Nos vimos Salazar e Carmona, e certas pessoas ainda nao "abriram" os olhos, ou nao querem ver. Certo Apostolo dizia: Ai daqueles que chamarem bem ao mal, e mal ao bem, mas tal como a Leste, ainda ha ignorantes, cobardes ou masoquistas que nao fazem a diferença. Abril sempre, mas o Abril com que sonhamos vai continuar cinzento por muitos anos. Como dizia Bertolt Brecht: é preciso mudar o mundo, e depois mudar o mundo mudado. Agua mole em pedra dura, tanto da que até a fura.

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  22. António Leitão , muito gosto em tê-lo por cá .Apenas lhe digo que concordo consigo . Espero retomar as minhas postagens mensais dentro de pouco tempo e contar consigo para deixar as suas opiniões ...

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